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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

O escândalo da espionagem mostra que De Gaulle estava certo: os EUA não têm amigos, têm interesses

Qual a diferença?
Washington, 1972. A sede do Partido Democrata dos Estados Unidos é invadida. Os arrombadores pertenciam aos círculos do presidente Richard Nixon. A tentativa criminosa de adquirir informações sobre a estratégia de campanha eleitoral do grupo oposicionista acabaria custando o cargo ao chefe de Estado republicano, dois anos mais tarde.
Desde então, o escândalo de Watergate constitui uma mancha vergonhosa na cultura política dos EUA. E há quatro décadas o nome é usado como sinônimo para descalabros políticos. Portanto, não é acaso o escândalo de espionagem pela Agência de Segurança Nacional (NSA) americana ter sido logo apelidado em Berlim como "Handygate" ("Celulargate", em tradução livre).
Mas quem vai querer comparar a escuta do telefone da chanceler federal Angela Merkel ao escândalo de Watergate? E, no entanto, em princípio a comparação é legítima: na era digital, não é mais preciso pé-de-cabra e lanterna para se arrancarem informações. Os modos de obtenção são outros, o objetivo é o mesmo.
Os americanos fazem tudo o que é possível, mesmo que seja ilegal ou imoral. É o que eles mesmos dizem de si e de suas pretensões de poder. Nesse aspecto, Barack Obama é, acima de tudo, o principal representante dos interesses de seu país – e é por essa perspectiva que olha o mundo. É bem como declarou certa vez o então presidente da França, Charles de Gaulle: os Estados Unidos não têm amigos, têm interesses.
E os interesses de Washington são globais. Até onde se sabe, os EUA possuem cerca de 80 centros de interceptação de comunicações ao redor do mundo, dos quais 19 na Europa. Dois cabem à Alemanha, sendo um Berlim, o outro em Frankfurt, centro financeiro e bancário do país. Portanto, um local onde é difícil justificar o monitoramento com o combate ao terrorismo. Tudo leva antes a crer que a intenção seja espionar os círculos das altas finanças. E isso é traição.
A Alemanha tem muito a agradecer aos EUA. O Plano Marshall é um dos motivos por que o país se tornou o gigante econômico que é, há décadas.
Diante desse pano de fundo histórico, a República Federal da Alemanha – tanto antes como depois da reunificação do país – nunca se emancipou politicamente de Washington por completo. Quase sempre o país se colocou do lado do grande irmão, incondicionalmente. O "não" do ex-premiê Gerhard Schröder à guerra do Iraque foi uma exceção na história recente.
O escândalo de espionagem é, agora, a chance para uma mudança. Justamente por a relação Alemanha-Estados Unidos ser tão intensa e indissolúvel, a reação de Berlim deve ser radicalmente nova, no tom e nos atos.
As oportunidades para uma objeção decidida por parte da Alemanha existem. Por exemplo, nas negociações para um tratado de livre comércio entre a União Europeia e os EUA; ou na iniciativa teuto-brasileira de obter uma resolução da ONU contra os americanos.
Independente das consequências, a mensagem deve ser: "Agora chega!" Pois se – passados 70 anos do fim da guerra e 23 da unificação da Alemanha – Washington insiste em se comportar como um invasor digital, então chegou a hora colocar a amizade em questão.

E. F. 

Espionagem dos EUA intercepta proposta de Brasil e Alemanha por sanções na ONU

Snowden denunciou a rede de espionagem dos EUA também na China e em Hong Kong.

Contatos entre o Brasil e a Alemanha para a formulação de uma diretriz das Nações Unidas (ONU) contra a espionagem que os EUA vêm promovendo às economias destes dois países, entre outros nos demais quadrantes do planeta, foram captados pela Agência Nacional de Segurança (NSA). Os dados foram passados, em forma de boletim, para segmentos ligados à inteligência norte-americana, na noite passada, segundo nota de contrainformação que circulou por Brasília, à qual o Correio do Brasil teve acesso apenas para observação.
Neste sábado, o presidente Barack Obama viu estampado, na internet, que seus tradicionais parceiros no Ocidente estão preparando uma resolução para a Assembleia-Geral da ONU que vai exigir “o fim da espionagem excessiva e da invasão de privacidade”, disse um diplomata, também em caráter confidencial, depois que o espião de agências de inteligência dos Estados Unidas revelou grandes programas de vigilância internacionais.
A presidente Dilma Rousseff e a chanceler alemã, Angela Merkel, condenaram a espionagem generalizada feita pela Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA. Acusações de que a NSA acessou dezenas de milhares de registros telefônicos franceses e monitorou o celular de Merkel têm causado indignação na Europa. A Alemanha disse na sexta-feira que vai enviar seus chefes de inteligência para Washington na próxima semana para buscar explicações da Casa Branca.
Em resposta às divulgações sobre a espionagem dos EUA, muitos delas vindas do ex-técnico da NSA Edward Snowden, as delegações de Brasil e Alemanha na ONU começaram a trabalhar em um projeto de resolução para ser submetido à Assembleia-Geral, de 193 países, afirmaram vários diplomatas da ONU à agência inglesa de notícias Reuters, ainda em caráter confidencial
– Esta resolução provavelmente terá um enorme apoio na AG (Assembleia-Geral), uma vez que ninguém gosta que a NSA os espione – declarou um diplomata ocidental da ONU, sob condição de anonimato.
Resoluções da Assembleia-Geral não são vinculantes, ao contrário de resoluções do Conselho de Segurança, de 15 nações. Mas as resoluções da Assembleia que conseguem um amplo apoio internacional podem ganhar peso moral e político significativo. Merkel pediu na quinta-feira que Washington faça um acordo de “não-espionagem” com Berlim e Paris até o final do ano, acrescentando que queria ação do presidente Barack Obama, não apenas pedidos de desculpas.
No mês passado, Dilma usou sua posição como primeira líder mundial a discursar na reunião anual da Assembleia-Geral para acusar os Estados Unidos de violar os direitos humanos e o direito internacional através de espionagem, que incluiria espionagem em seu e-mail. Dilma também manifestou o seu desagrado ao adiar uma visita de Estado aos Estados Unidos, agendada para este mês, após relatos de que a NSA tinha espionado comunicações e empresas brasileiras.
E. F. 

Líbia: nação destruída e saqueada pelos EUA







A Líbia sem Kadafi está sendo saqueada pelas potências colonialistas. Dois anos após o martírio do líder Muamar Kadafi na heróica Sirte (sua terra natal), o mundo assiste desolado a queda, uma a uma, das mentiras divulgadas pela mídia ocidental para tentar justificar a ocupação militar da Líbia.


















Hoje o país está fragmentado, não há luz, água ou combustíveis na maioria das cidades líbias. Estradas, viadutos, estações de bombeamento de água no Grande Rio Verde (o maior rio artificial do mundo) foram destruídas pelas bombas dos EUA, França e Inglaterra, e até agora nada foi reconstruído.

Para completar o quadro desolador do país que tinha o maior IDH (índice que mede a qualidade de vida da população) da África, mais de 6.000 militares estrangeiros estão estacionados no país, a maioria nos campos de petróleo onde EUA, França e Inglaterra estão roubando o petróleo líbio para “pagar despesas de guerra”. Ora, é como se um ladrão invadisse nossa casa, roubasse, matasse, e depois exigisse um pagamento mensal como compensação pelo “trabalho realizado”. 

Na semana passada o primeiro-ministro, Ali Zeidan, foi sequestrado em Trípoli por ex-rebeldes anti-Kadafi como represália pela captura de um suposto líder da Al-Qaeda, Abu Anas al-Libi, pelos EUA. Libertado horas depois, Zeidan denunciou ter havido "golpe contra a legitimidade"
"Zeidan é fraco, sem instrumentos para conduzir um país cujas instituições foram desmontadas", disse Geoff Porter, especialista do North Africa Risk Consulting.

No sul da Líbia, dezenas de xeques beduínos e líderes tuaregues se recusam a se submeter a um governo de mercenários e traidores da Jamahiriya. Exigem autonomia política e montaram governos de fato, protegidos por milícias. Enquanto isso, drones americanos vasculham a área constantemente e matam inocentes, em locais onde a mídia não chega. Em todo o território, extremistas islâmicos se beneficiam do volume imenso de armas restantes dos oito meses de guerra civil, contrabandeiam armamento para Síria e Somália e reforçam frentes de combate no Mali e na Tunísia.

A Líbia da Jamahiriya, do Poder Popular, da democracia direta através dos Congressos e Comitês Populares, teve sua legislação substituída por uma mescla de lixo democrático (partidos políticos corruptos) e leis islâmicas via Al Qaeda. Tudo isso aprovado pelo Conselho Geral Nacional, onde a Irmandade Muçulmana líbia luta contra políticos seculares.

Atualmente 6,4 milhões de líbios vivem sob total insegurança. As forças de segurança continuam dispersas, sem preparo e a criminalidade cresce. Segundo Claudia Gazzini, especialista do International Crisis Group, os grupos armados se defrontam entre si.

Em setembro de 2012, um deles invadiu o Consulado dos EUA em Benghazi e matou o embaixador americano, Christopher Stevens, e três funcionários – agentes da CIA. Porter, no entanto, não vê risco de golpe de Estado. "Ninguém quer substituir Zeidan, porque não há como governar o país", afirmou.

A italiana Claudia, que vive em Trípoli há um ano e meio, diz que ouve queixas recorrentes sobre a insegurança. Segundo ela, muitos sentem saudades de Kadafi. "Em termos de segurança, com certeza Kadafi era melhor. Há uma insatisfação geral com o atual processo político."

Segundo Riccardo Fabiani, do Eurasia Group, a situação é caótica, mas não como na Somália, onde há uma guerra civil. "Na Líbia, nenhum grupo jihadista quer derrubar o regime. O que eles querem é influir e dominar o governo."

A líbia de Muamar Kadafi era a “pérola da África”, o país mais próspero, o mais solidário (enviava médicos e dentistas para atender gratuitamente nos países mais pobres do continente africano).

Tudo isso não foi suficiente para deter as potências ocidentais terroristas que somaram forças para assassinar milhares de civis indefesos para roubar petróleo.

Kadafi não morreu nas milenares areias de Sirte, a cidade heróica. Ele está vivo na memória de milhares de combatentes da liberdade, de verdadeiros revolucionários, em diversas partes do mundo, e principalmente, na memória do povo árabe socialista da Líbia.

Kadafi vive! Kadafi viverá sempre!

A. G.

sábado, 26 de outubro de 2013

Guerra de Outubro entre Israel, Síria e Egito completa 40 anos

Há 40 anos, a resolução 338 do Conselho de Segurança das Nações Unidas instaurou o cessar-fogo entre Israel, Síria e Egito, como atores diretos na Guerra de Outubro (também conhecida por Guerra do Yom Kippur, pelos judeus, e Guerra do Ramadã, por muçulmanos). As tropas árabes tentavam retomar territórios ocupados por Israel, e a guerra teve efeitos surpreendentes para os israelenses, com consequências para a Europa e para os EUA.
Guerra de Outubro 40 anos. Soldados israelenses disparam com tanques franceses nas Colinas de Golã, em 1973.

Na Guerra de Outubro, Israel, Síria e Egito enfrentaram-se em um episódio surpreendente, com importantes efeitos geoestratégicos e geopolíticos, que atingiram a Europa e os Estados Unidos, em suas políticas para o Oriente Médio.

Em 1974, um ano após o fim da violência direta entre os envolvidos, o ex-primeiro-ministro da Síria, Salah al-Din al-Bitar, co-fundador do partido Baath e expoente do nacionalismo árabe moderno escreveu um artigo de análise sobre os efeitos da guerra.

O texto, intitulado “Implicações da Guerra de Outubro para o Mundo Árabe”, elenca setores da política externa diretamente afetados pelas hostilidades e seus resultados. Como ponto de partida, a surpresa de Israel com a determinação árabe e com a performance das tropas da Síria, do Egito e de outros países árabes ocasionou certa confusão geoestratégica, de acordo com al-Bitar.

Para o ex-premiê, “assim como o equilíbrio geoestratégico foi perturbado, também conceitos políticos e estratégicos foram postos de cabeça para baixo nos países da região e no cenário internacional”.

Al-Bitar ressalta a importância do desempenho árabe no conflito para a unidade entre os países da região e para evidenciar a necessidade de maior cooperação entre eles. Segundo o ex-premiê sírio, alguns resultados incluíram também a constatação do poder dos recursos energéticos, sobretudo do petróleo, como fator de pressão e dissuasão contra a política de dependência do Ocidente.

Abalo israelense e o projeto nuclear

Algumas pesquisas recentes têm desenterrado planos militares israelenses do auge da guerra, quando o então ministro da Defesa Moshe Dayan e a primeira-ministra Golda Meir viram-se surpreendidos pelas dificuldades estratégicas do que consideravam uma vitória certa.

Segundo uma série publicada em setembro pelo jornal israelense Yedioth Ahranoth, Dayan havia cogitado e proposto, diretamente à premiê, o uso de armas nucleares, tamanha a desorientação causada pelo desenvolvimento negativo para Israel. 
De acordo com declarações de autoridades israelenses envolvidas no processo de decisão na época da guerra, citadas pelo Yedioth, Dayan havia se surpreendido quando esteve no campo de batalhas e viu as tropas israelenses serem empurradas pelos soldados árabes.

Na série, o então chefe da diplomacia estadunidense, no governo de Richard Nixopn, Henry Kissinger também foi entrevistado, e afirmou que os EUA não tinham sido informados sobre a intenção israelense de usar armas nucleares. 

Já o então conselheiro adjunto de Segurança Nacional, Brent Scowcroft, tenha dito, na mesma séria, que o plano não seria uma surpresa, dado o nível de desorientação de Dayan. Alguns anos antes, em 1969, Israel e os EUA teriam debatido evitar que o governo israelense anunciasse seu poderio nuclear.

Mobilização árabe e geoestratégia

Para al-Bitar, “os árabes haviam recuperado a sua autoconfiança e a sua honra” após a “desgraça” em que teriam caído com a Guerra de Junho, de 1967 (também conhecida de Guerra dos Seis Dias).

Escrevendo em 1974, o ex-premiê sírio afirma: “Porque a unidade dos árabes é o seu caminho para a força, a modernização e a autodeterminação, Israel é aliado objetivo da fragmentação e da desunião”, e aspira “espalhar o colonialismo pelo mundo árabe, para proteger os interesses do Ocidente, principalmente dos Estados Unidos”.

Al-Bitar ressalta ainda que o Ocidente frustrou-se porque apostava em Israel como o “poder civilizador” contra o “barbarismo árabe”, como dizia o teórico fundador do sionismo político moderno (de base colonialista), Theodor Herzl.

A guerra revelou, de acordo com al-Bitar, que a paz e a segurança no Oriente Médio são indispensáveis para a segurança e a prosperidade, sobretudo da Europa, o que teria provocado um certo afastamento dos Estados Unidos, neste âmbito.

Entretanto, o desenvolvimento dessa constatação, nos tempos recentes, resultou em uma preferência pela manutenção do status quo, em questões como a própria Palestina, ocupada por Israel, e a falta de um tratado de paz efetivo entre a Síria e os israelenses. 
Este último foi logrado apenas entre o Egito e Israel, em 1974, através dos Acordos de Camp David, mediados pelos Estados Unidos e assinados pelo então presidente egípcio, Anwar Sadat. 

Desenrolar dos efeitos estratégicos

A morte do presidente Gamal Abdel Nasser, considerado um dos líderes do pan-arabismo, foi vista como uma grande perda para a afirmação árabe regional, e o acordo de Sadat com os israelenses foi interpretado como uma “transação”, em que o Egito recebeu a promessa de assistência militar anual dos EUA (de 1,3 bilhões de dólares, extremamente inferior à garantida a Israel).

As Colinas do Golã, território sírio, e a Península do Sinai, egípcia, continuam ocupadas por Israel, desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967, quando também a Cisjordânia e a Faixa de Gaza haviam sido ocupadas. Além disso, na década de 1980, Israel chegou a declarar a anexação do Golã sírio, uma violação grave do Direito Internacional e uma medida retrógrada contrária aos princípios mais básicos da Carta das Nações Unidas, já que a tomada de territórios por meio da guerra é extremamente ilegítima.

Missões da ONU foram estabelecidas na região, como a Força de Observação do Desengajamento das Nações Unidas (UNDOF), em maio de 1974, que teve como mandato inicial a monitoração da vigência da resolução 338, de cessar fogo, na região das Colinas de Golã. A missão continua ativa.

Na década de 1990, o governo israelense e o sírio, presidido por Hafez al-Assad, chegaram a manter conversações diretas, mas as negociações não deram resultados práticos, e as relações diplomáticas entre os dois países continuam cortadas.

Já o Egito, entretanto, retomou relações com Israel ainda em 1974, com períodos de cooperação militar profundamente criticável, como as operações realizadas no Sinai contra militantes e a destruição de túneis palestinos. Estes resultam ser os únicos meios dos habitantes da Faixa de Gaza de conseguirem bens essenciais de sobrevivência e de conseguirem se movimentar, uma vez que o território é bloqueado militarmente por Israel e pelo Egito, com períodos de encerramento total da passagem de Rafah para o Sinai. 

Para al-Bitar, em seu artigo de 1974, o confronto entre o mundo árabe e o sionismo israelense é inevitável, já que a realização dessa política só é possível, de acordo com os conceitos políticos estabelecidos no país, através da ocupação e subjugação dos árabes. 

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

O homem que impediu a Terceira Guerra Mundial

O homem que você vê na foto abaixo se chama Stanislav Petrov, ele era tenente-coronel do Exército Vermelho durante a Guerra Fria. Seu nome é pouco conhecido. O mundo o ignora quase que por completo. Atualmente, ele vive modestamente como pensionista em uma pequena cidade na Federação Russa. No entanto, este senhor de cabelos grisalhos desempenhou um papel crucial na história da humanidade. Na madrugada de 26 de setembro de 1983, no evento que ficou conhecido como o incidente do equinócio de outono, ele corretamente identificou como falso um alarme de ataque de mísseis, e recusou-se a implementar o protocolo estabelecido para estes casos, que era informar as autoridades superiores e iniciar os preparativos para um contra-ataque nuclear. Segundo analistas, este foi o momento em que a União Soviética e os Estados Unidos estiveram mais próximos de iniciar uma guerra nuclear.
O incidente do equinócio de outono começou numa noite fria em setembro de 1983. Apenas três semanas antes, as tensões entre o Ocidente e o Bloco Comunista tinham aumentado consideravelmente, devido à derrubada por caças soviéticos de um avião sul-coreano, no qual havia vários cidadãos norte-americanos a bordo. Além disso, a OTAN ordenara o início de uma série de manobras militares, o chamado código Able Archer 83, simulando um hipotético conflito com os russos que  culminava com o lançamento de mísseis nucleares. Devido ao exercício extremamente realista, o alto comando soviético interpretou a movimentação das tropas ocidentais como o primeiro passo para o início de um ataque em solo soviético e colocou todas as suas tropas em estado de alerta.

Com essa atmosfera propícia à guerra, o clima estava pesado no centro de comando da inteligência militar soviética, onde Petrov exercia as funções de oficial de plantão naquela madrugada de 26 de setembro de 1983. Sua missão era monitorar o espaço aéreo soviético, para detectar um possível ataque ao solo russo e coordenar a resposta apropriada à agressão. Logo depois da meia-noite, os alarmes começaram a disparar no bunker. O sistema de alerta da defesa aeroespacial russa havia detectado uma fonte de calor vindo do leste, cujas características eram as de um míssil balístico intercontinental. A rota do objeto seguia diretamente para o território soviético. Petrov, contudo, manteve-se cético quanto à natureza do alarme. Ele não acreditava que os americanos fossem lançar um único míssil, caso quisessem iniciar um conflito nuclear, por isso, atribuiu o alarme a um erro do computador.
No entanto, após alguns minutos, a situação ficou grave: os sistemas de defesa começaram a alertar sobre a presença de dois, três, quatro e cinco objetos que atingiriam a União Soviética em questão de minutos. O momento era crítico, o estresse dos funcionários no centro de comando russo saturava o ar. Os protocolos ditavam que eles deveriam informar os membros do Politburo e o Estado Maior da Defesa sobre a situação. Além disso, a eles cabia iniciar a contra-ofensiva, programando os mísseis nucleares russos para o lançamento imediato contra alvos norte-americanos.
Petrov estava numa difícil encruzilhada: ou informava seus superiores sobre o suposto ataque e começava os preparativos para revidar; certamente mergulhando o mundo num apocalipse nuclear, ou ficava parado sem fazer nada, podendo ser o responsável pela morte de milhões de seus conterrâneos. Confiando em sua intuição, ele escolheu a segunda opção. Petrov não informou seus superiores, apostando que tudo não passava de um grande equívoco. Os minutos que se seguiram a esta decisão foram eternos para todos na sala de comando. Com os olhos fixos nas telas dos computadores, a equipe observava nervosamente a trajetória dos cinco pontos de calor. Para alívio deles, de repente, os objetos desapareceram e os alarmes cessaram. Mais tarde, descobriu-se que o erro foi causado por um alinhamento fortuito entre o Sol, a Terra e os satélites de detecção soviéticos, que fez os sinais térmicos solares serem confundidos com mísseis balísticos americanos. Nunca antes a humanidade estivera tão perto de uma guerra nuclear.

Petrov revelou ter julgado o incidente como um erro do sistema porque "ninguém começa uma guerra nuclear com apenas cinco mísseis." Seus superiores, entretanto, consideraram a atitude dele como desobediência, e, embora ele não tenha sido punido por causa da natureza falsa do ataque americano, ele foi rebaixado e aposentado pouco tempo depois. O reconhecimento veio mais tarde: em 2004, Petrov recebeu um prêmio da Associação dos Cidadãos do Mundo como "Homem do Ano" e em 2006, ele foi homenageado na sede das Nações Unidas. O homem que impediu a III Guerra Mundial vive atualmente a  velhice como pensionista em uma tranquila vila na Rússia, negando veementemente que deva ser tratado como herói. Disse ele em uma entrevista: "Eu estava apenas fazendo o meu trabalho, eu era a pessoa certa na hora certa. Isso é tudo ".
D. P. L.

Rumo a um neo-totalitarismo?

" Porquê Obama, tal como George W. Bush, entende que o seu papel não é satisfazer aqueles que nele votaram mas sim expandir “a mais poderosa instituição da história do mundo, uma instituição que matou e desalojou bem mais de 20 milhões de seres humanos, principalmente civis, desde 1962 .

Um painel de controle da Agência de Segurança Nacional (NSA), nos EUA

Espionagem militar maciça dos EUA apoia-se na cumplicidade das corporações da internet e numa safra de filmes pró-guerra. Felizmente, agora sabemos de tudo
 

No seu livro, Propaganda, publicado em 1928, Edward Bernays escreveu: “A manipulação consciente e inteligente dos hábitos organizados e das opiniões das massas é um elemento importante na sociedade democrática. Aqueles que manipulam este mecanismo ocultos da sociedade constituem um governo invisível, o qual é o verdadeiro poder dominante no nosso país”.
 
Bernays, o sobrinho norte-americano de Sigmund Freud, inventou a expressão “relações públicas” como um eufemismo para propaganda de estado. Ele lembrou, porém, que os que dizem a verdade, e um público esclarecido, são uma ameça permanente ao governo invisível.
 
Em 1971, Daniel Ellsberg trouxe a público os documentos do governo estadunidense conhecidos como The Pentagon Papers. Revelou que a invasão do Vietnã fora baseada numa mentira sistemática. Quatro anos depois, o senador Frank Church dirigiu audiências extraordinárias no Senado dos EUA: um dos últimos lampejos da democracia americana. Estas puseram a nu a plena extensão do governo invisível: a espionagem e subversão internas e a provocação de guerra pelas agências de inteligência e “segurança”, bem como o apoio que recebiam das grandes corporações e das mídias, tanto conservadores como liberais.
 
Ao referir-se à Agência de Segurança Nacional (NSA), Church afirmou: “Sei que a capacidade que há para instaurar uma tirania na América. Devemos assegurar que esta agência, e todas as que possuem esta tecnologia [de espionagem] operem dentro da lei… de modo que nunca cruzemos esse abismo. Trata-se do abismo do qual não há retorno”.
 
Em 11 de Junho de 2013, após as revelações feitas por Edward Snowden (um ex-contratado da CIA e NSA), e publicadas por The Guardian,Daniel Ellsberg escreveu que os EUA agora escorregaram para “aquele abismo”.
 
A revelação de Snowden, de que Washington utilizou a Google, Facebook, Apple e outros gigantes da tecnologia para espionar quase toda a internet, é uma nova evidência da forma moderna de fascismo – esse é o “abismo”. Depois de alimentar regimes autoritários por todo o mundo – desde a América Latina à África e à Indonésia – o gene cresceu em casa. Entender isto é tão importante quanto entender o abuso criminoso da tecnologia.
 
Fred Branfman, que denunciou a destruição “secreta” do pequeno Laos pela aviação dos EUA, nas décadas de 1960 e 70, proporciona uma resposta para aqueles que ainda se perguntam como um presidente afro-americano, professor de direito constitucional, pode comandar tamanha ilegalidade. “Sob o Obama, os Estados Unidos ainda estão longe de ser um estado policial clássico. . . ”, escreveu ele, “Mas nenhum presidente fez mais para criar a infraestrutura para um possível futuro totalitário”. Por que? Porque Obama, tal como George W. Bush, entende que o seu papel não é satisfazer aqueles que nele votaram mas sim expandir “a mais poderosa instituição da história do mundo, uma instituição que matou e desalojou bem mais de 20 milhões de seres humanos, principalmente civis, desde 1962.
No novo ciber-poder americano, só as portas giratórias mudaram. O diretor da Google Ideas, Jared Cohen, era conselheiro de Condaleeza Rice, a antiga secretária de Estado no governo Bush, que mentiu quando disse que Saddam Hussein podia atacar os EUA com armas nucleares.

Cohen e o presidente executivo da Google, Eric Schmidt – eles encontraram-se nas ruínas do Iraque – escreveram um livro em co-autoria,The New Digital Age, aclamado como visionário pelo antigo diretor da CIA Michael Hayden e pelos criminosos de guerra Henry Kissinger e Tony Blair. Os autores não mencionam o programa de espionagem Prism , revelado por Edward Snowden, que proporciona à NSA acesso a todos os que utilizamos o Google.

Controle e dominação são as duas palavras que dão forma a esse tipo de programa. São exercidas por meio de planos políticos, econômicos e militares, entre os quais a vigilância em massa é uma parte essencial — mas também o é vasta propaganda entre a opinião pública.

Este era o ponto de Edward Bernay. As suas duas campanhas de relações publicas de maior êxito foram convencer os nort-americanos de que deveriam ir à guerra em 1917 e persuadir as mulheres a fumar em público; os cigarros eram “tochas da liberdade” que acelerariam a libertação da mulher.

É cultura popular que funciona mais eficazmente a ideia fraudulenta segundo a qual os Estados Unidos são moralmente superiores e, portanto “líderes do mundo livre”. Mas, mesmo durante os períodos mais patrioteiros de Hollywood houve filmes excepcionais (como os de Stanley Kubrick) e filmes europeus audaciosos que encontravam distribuidores nos EUA.

Nestes dias, não há Kubrick, nem Strangelove e o mercado norte-americano está quase fechado a filmes estrangeiros.

Quando apresentei meu filme A Guerra na Democracia a um grande distribuidor liberal dos EUA, recebi uma lista de mudanças exigidas para “assegurar que o filme fosse aceitável”. A inesquecível concessão que ele me fez foi: “OK, talvez pudéssemos deixar Sean Penn como narrador. Isso o satisfaria?” Ultimamente, o filme de apologia da tortura Zero Dark Thirty, de Katherine Bigelow, e We Steal Secrets, um ataque a machadadas contra Julian Assange, foram feitos com o apoio generoso da Universal Studios, cuja companhia-mãe até recentemente era a General Electric. A mesma GE que fabrica armas, componentes para aviões-caça e tecnologia avançada de vigilância. A companhia também tem interesses lucrativos no Iraque “libertado”.

O poder dos contadores de verdades, como Bradley Manning, Julian Assange e Edward Snowden, é que eles refutam toda uma mitologia construída cuidadosamente pelo cinema corporativo, pela academia e pelas mídias de mercado. O WikiLeaks é especialmente perigoso porque proporciona um meio para publicar as verdades que incomodam o poder. Isto foi conseguido em Collateral Murder, o vídeo filmado a partir da cabine de um helicóptero Apache dos EUA, supostamente vazado pelo jovem soldado Bradley Manning. O impacto deste único vídeo marcou Manning e Assange para a vingança do Estado. Ali estavam pilotos dos EUA a assassinar jornalistas e mutilar crianças numa rua de Bagdad, claramente divertindo-se, e descrevendo sua atrocidade como “nice”. No entanto, num sentido vital, eles não escaparam sem punição; somos agora testemunhas, cabe a nós denunciá-los.
Este é o vídeo que o Wikileaks vazou em abril de 2010, onde o exercito norte-americano mata 12 pessoas. Todas elas civis. Duas delas, jornalistas da agência de notícias Reuters, que tiveram suas máquinas fotográficas confundidas com armas de grande porte.
Em uma parte do vídeo, uma van preta chega para ajudar um dos feridos, e é também alvejada pelo Apache americano. Dentro dela havia duas crianças que estavam indo para a escola.
A princípio o Wikileaks vazou o vídeo que tinha 38 minutos, depois compilou ele nesse curta de 17 e adicionou legendas, para que tudo ficasse mais fácil de ser visualizado. 

Porque se afirma em Portugal, via Panamá, ser muito, muito, muito, muito mais mais importante aprovar o OE/2014 que atender à sua hipotética inconstitucionalidade?



quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Noam Chomsky e o labirinto político dos Estados Unidos

Noam Chomsky é, aos 84 anos, um dos maiores intelectuais no mundo. Seu trabalho e suas realizações são bem conhecidos – ele é linguista norte-americano, professor emérito no Massachussets Institute of Technology (MIT) há mais de 60 anos, analista e ativista político constante, crítico original do capitalismo e da ordem mundial que tem como centro os Estados Unidos
Nesse entrevista, Chomsky debate a paralisação do governo norte-americano, por disputas incessantes no sistema político e, em especial, chantagem das forças de direita mais primitivas. Também aborda os sinais de perda de influência de Washington na Síria e da emergência, na América do Sul, de um conjunto de governos que afasta-se dos EUA, pela primeira vez em dois séculos.
Harrison Samphir: Gostaria de começar com a paralisação recente do governo dos EUA. Por que ela é diferente dessa vez, se já aconteceu no passado?
Noam Chomsky: Paul Krugman fez há dias, no New York Times, um ótimo comentário a respeito. Lembra que o partido republicano é minoritário entre a opinião pública. Controla a Câmara [House of Representatives, que junto do Senado representa o Legislativo nos EUA]. Está levando o governo à paralisação e talvez ao calote de suas dívidas. Conseguiu a maioria por conta de inúmeras artimanhas. Obteve uma minoria de votos, mas a maioria das cadeiras. Está se utilizando disso para impor uma agenda extremamente nociva para a sociedade. Foca particularmente a questão do sistema de saúde público.
Os EUA são o único, entre os países ricos e desenvolvidos, que não possue um sistema nacional de saúde pública. O sistema norte-americano é escandaloso. Gasta o dobro de recursos de países comparáveis, para obter um dos piores resultados. E a razão para isso é ser altamente privatizado e não-regulado, tornando-se extremamente ineficiente e caro. Aquilo que alguns chamam de “Obamacare” é uma tentativa de mudar esse sistema de forma suave – não tão radicalmente como seria desejável – para torná-lo um pouco melhor e mais acessível.
O Partido Republicano escolheu o sistema de saúde como alavanca para conquistar alguma força política. Quer destruir o Obamacare. Essa posição não é unânime entre os republicanos, é de uma ala do partido – chamada de “conservadora”, de fato, profundamente reacionária. Norman Orstein, um dos principais comentaristas conservadores, descreve o movimento, corretamente, como uma “insurgência radical”.
Então, há uma insurgência radical, que implica grande parte da base republicana, disposta a tudo – destruir o país, ou qualquer coisa, com o intuito de acabar com a Lei de Assistência Acessível (o Obamacare). É a única coisa a que foram capazes de se agarrar. Se falharem nisso, terão de dizer a sua base que mentiram para ela, ao longo dos últimos cinco anos. Por isso, estão dispostos a ir até onde for necessário. É um fato incomum – penso que único – na história dos sistemas parlamentaristas modernos. É muito perigoso para o país e para o mundo.
Como a paralisação poderia terminar?
Noam Chomsky: Bem, a paralisação por si só é ruim – mas não devastadora. O perigo real surgirá nas próximas semanas. Há, nos Estados Unidos, uma legislação rotineira – aprovada todo ano – que permite ao governo tomar dinheiro emprestado. Do contrário, ele não funciona. Se o Congresso não autorizar a continuação da tomada de empréstimos, talvez o governo peça moratória. Isso nunca aconteceu e um calote do governo norte-americano não seria muito prejudicial apenas aos EUA. Ele provavelmente afundaria o país, de novo, numa profunda recessão – mas talvez também quebre o sistema financeiro internacional. É possível que encontrem maneiras para contornar a situação, mas o sistema financeiro mundial depende muito da credibilidade do Departamento do Tesouro dos EUA. A credibilidade dos títulos de dívida emitidos pelos EUA é vista como “tão boa quanto ouro”: esses papéis são a base das finanças internacionais. Se o governo não conseguir honrá-los, eles não possuirão mais valor, e o efeito no sistema financeiro internacional poderá ser muito severo. Mas para destruir uma lei de saúde limitada, a extrema direita republicana, os reacionários, estão dispostos a fazer isso.
No momento, os EUA estão divididos sobre como o tema será resolvido. O ponto principal a observar é a divisão no Partido Republicano. O establishment republicano, junto com Wall Street, os banqueiros, os executivos de corporações não querem isso – de maneira nenhuma. É parte da base que deseja, e tem sido muito difícil controlá-la. Há uma razão para terem um grande grupo de delirantes em sua base. Nos últimos 30 ou 40 anos, ambos os partidos que comandam a política institucional dos EUA inclinaram-se para a direita. Os democratas de hoje são, basicamente, aquilo que se costumava chamar, há tempos, de republicanos moderados. E os republicanos foram tanto para a direita que simplesmente não conseguem votos, na forma tradicional.
Tornaram-se um partido dedicado aos muito ricos e ao setor corporativo – e você simplesmente não consegue votos dessa maneira. Por isso, têm sido compelidos a mobilizar eleitores que sempre estiveram presentes no sistema político, mas eram marginais. Por exemplo, os extremistas religiosos. Os EUA são um dos expoentes no que se refere ao extremismo religioso no mundo. Mais ou menos metade da população acredita que o mundo foi criado há alguns milhares de anos; dois terços da população está aguardando a segunda vinda de Cristo. A direita também teve de recorrer aos nativistas. A cultura das armas, que está fora de controle, é incentivada pelos republicanos. Tenta-se convencer as pessoas de que devem se armar, para nos proteger. Nos proteger de quem? Das Nações Unidas? Do governo? Dos alienígenas?
Uma enorme parcela da sociedade é extremamente irracional e agora foi mobilizada politicamente pelo establishment republicano. Os líderes presumem que podem controlar este setor, mas a tarefa está se mostrando difícil. Foi possível perceber isso nas primárias republicanas para a presidência, em 2012. O candidato do establishment era Romney, um advogado e investidor em Wall Street – mas a base não o queria. Toda vez que a base surgia com um possível candidato, o establishment fazia de tudo para destruí-lo, recorrendo, por exemplo, a ataques maciços de propaganda. Foram muitos, um mais louco que o outro. O establishment republicano não os quer, tem medo deles, conseguiu nomear seu candidato. Mas agora está perdendo controle sobre a base.
Sinto dizer que isso tem algumas analogias históricas. É mais ou menos parecido com o que aconteceu na Alemanha, nos últimos anos da República de Weimar. Os industriais alemães queriam usar os nazistas, que eram um grupo relativamente pequeno, como um animal de combate contra o movimento trabalhista e a esquerda. Acharam que podiam controlá-los, mas descobriram que estavam errados. Não estou dizendo que o fenômeno vai se repetir aqui, é um cenário bem diferente, mas algo similar está ocorrendo. O establishment republicano, o bastião corporativo e financeiro dos ricos, está chegando em um ponto em que não consegue mais controlar a base que mobilizou.
Na política externa, as notícias sobre a Síria sumiram da mídia convencional, desde a aprovação do acordo para confiscar as armas químicas do arsenal de Assad. Você pode comentar esse silêncio?
Noam Chomsky: Nos EUA, há pouco interesse sobre o que acontece fora das fronteiras. A sociedade é bem insular. A maioria das pessoas sabe bem pouco sobre o que acontece no mundo e não liga tanto para isso. Está preocupada com seus próprios problemas, não têm o conhecimento ou o compreensão sobre o mundo ou sobre História. Quando algo, no exterior, não é constantemente martelado pela mídia, esta maioria simplesmente não sabe nada a respeito.
A Síria vive uma situação muito ruim, atrocidades realmente terríveis, mas há lugares muito piores no mundo. As maiores atrocidades das últimas décadas têm ocorrido no Congo – na região oriental –, onde mais ou menos 5 milhões de pessoas foram mortas. Nós – os EUA – estamos envolvidos, indiretamente. O principal mineral em seu celular é o coltan, que vem daquela região. Corporações internacionais estão lá, explorando os ricos recursos naturais Muitas delas bancam milícias, que estão lutando umas contra as outras pelo controle dos recursos, ou de parte deles. O governo de Ruanda, que é um cliente dos EUA, está intervindo maciçamente, assim como Uganda. É praticamente uma guerra mundial na África. Bem, quantas pessoas sabem disso? Mal chega à mídia e as pessoas simplesmente não sabem nada a respeito.
Na Síria, o presidente Obama fez um discurso sobre o que chamou de sua “linha vermelha”: não se pode usar armas químicas; pode-se fazer de tudo, exceto utilizar armas químicas. Surgiram relatórios credíveis, afirmando que a Síria utilizou essas armas. Se é verdade, ainda está em aberto, mas muito provavelmente é. Nesse ponto, o que estava em jogo é o que se chama de credibilidade. A liderança política e os comentaristas de política externa indicavam, corretamente, que a credibilidade norte-americana estava em jogo. Algo precisava ser feito para mostrar que nossas ordens não podem ser violadas. Planejou-se um bombardeio, que provavelmente tornaria a situação ainda pior, mas manteria a credibilidade dos EUA.
O que é “credibilidade”? É uma noção bem familiar – basicamente, a noção principal para organizações como a Máfia. Suponha que o Poderoso Chefão decida que você terá que pagá-lo, para ter proteção. Ele tem de “bancar” essa afirmação. Não importa se precisa ou não do dinheiro. Se algum pequeno lojista, em algum lugar, decidir que não irá pagá-lo, o Poderoso Chefão não deixa a ousadia impune. Manda seus capangas espancá-lo sem piedade, ainda que o dinheiro não signifique nada para ele. É preciso estabelecer credibilidade: do contrário, o cumprimento de suas ordens tenderá a erodir. As relações exteriores funcionam quase da mesma maneira. Os EUA representam o Poderoso Chefão, quando dão essas ordens. Os outros que cumpram, ou sofram as consequências. Era isso que o bombardeio na Síria demonstraria.
Obama estava chegando a um ponto do qual, possivelmente, não seria capaz de escapar. Não havia quase apoio internacional nenhum – sequer da Inglaterra, algo incrível. A Casa Branca estava perdendo apoio internamente e foi compelida a colocar o tema em votação no Congresso. Parecia que seria derrotada, num terrível golpe para a presidência de Obama e sua autoridade. Para a sorte do presidente, os russos apareceram e o resgataram com a proposta de confiscar as armas químicas, que ele prontamente aceitou. Foi uma saída para a humilhação de encarar uma provável derrota.
Faço comentário adicional. Você perceberá que este é um ótimo momento para impor a Convenção sobre Proibição de Armas Químicas no Oriente Médio. A verdadeira convenção, não a versão que Obama apresentou em seu discurso, e que os comentaristas repetiram. Ele disse o básico, mas poderia ter feito melhor, assim como os comentaristas. A Convenção sobre Proibição de Armas Químicas exige que sejam banidas a produção, estocagem e uso delas – não apenas o uso. Por que omitir produção e estocagem? Razão: Israel produz e estoca armas químicas. Consequentemente, os EUA irão evitar que tal convenção seja imposta no Oriente Médio. É um assunto importante: na realidade, as armas químicas da Síria foram desenvolvidas para se contrapor às armas nucleares de Israel, o que também não foi mencionado.
Você afirmou recentemente que o poder norte-americano no mundo está em declínio. Para citar sua frase em Velhas e Novas Ordens Mundiais, de 1994, isso limitará a capacidade dos EUA para “suprimir o desenvolvimento independente” de nações estrangeiras? A Doutrina Monroe está completamente extinta?
Noam Chomsky: Bem, isso não é uma previsão, isso já aconteceu. E aconteceu nas Américas, muito dramaticamente. O que a Doutrina Monroe dizia, de fato, é que os EUA deviam dominar o continente. No último século isso de fato foi verdade, mas está declinando – o que é muito significativo. A América do Sul praticamente se libertou, na última década. Isso é um evento de relevância histórica. A América do Sul simplesmente não segue mais as ordens dos EUA. Não restou uma única base militar norte-americana no continente. A América do Sul caminha por si só, nas relações exteriores. Ocorreu uma conferência regional, cerca de dois anos atrás, na Colômbia. Não se chegou a um consenso, nenhuma declaração oficial foi feita. Mas nos assuntos cruciais, Canadá e EUA isolaram-se totalmente. Os demais países americanos votaram num sentido e os dois foram contra – por isso, não houve consenso. Os dois temas eram admitir Cuba no sistema americano e caminhar na direção da descriminalização das drogas. Todos os países eram a favor; EUA e Canadá, não.
O mesmo se dá em outros tópicos. Lembre-se de que, algumas semanas atrás, vários países na Europa, incluindo França e Itália, negaram permissão para sobrevoo do avião presidencial do boliviano Evo Morales. Os países sul-americanos condenaram veementemente isso. A Organização dos Estados Americanos, que costumava ser controlada pelos EUA, redigiu uma condenação ácida, mas com um rodapé: os EUA e o Canadá recusaram-se a subscrever. Estão agora cada vez mais isolados e, mais cedo ou mais tarde, penso que os dois serão, simplesmente, excluídos do continente. É uma brusca mudança em relação ao que ocorria há pouco tempo.
A América Latina é o atual centro da reforma capitalista. Esse movimento poderá ganhar força no Ocidente?
Noam Chomsky: Você está certo. A América Latina foi quem seguiu com maior obediência as políticas neoliberais instituídas pelos EUA, seus aliados e as instituições financeiras internacionais. Quase todos os países que se orientaram por aquelas regras, incluindo nações ocidentais, sofreram – mas a América Latina padeceu particularmente. Seus países viveram décadas perdidas, marcadas por inúmeras dificuldades. Parte do levante da América Latina, particularmente nos últimos dez a quinze anos, é uma reação a isso. Reverteram muitas daquelas medidas e se moveram para outra direção. Em outra época, os EUA teriam deposto os governos ou, de uma maneira ou de outra, interrompido seu movimento. Agora, não podem fazer isso.
Recentemente, os EUA testemunharam o surgimento de seus primeiros refugiados climáticos – os esquimós Yup’ik – na costa sul na ponta do Alaska. Isso coloca em mórbida perspectiva o impacto humano no meio ambiente. Qual é sua posição acerca dos impostos sobre emissões carbono e quão popular pode ser tal medida nos EUA ou em outro país?
Noam Chomsky: Acho que é basicamente uma boa ideia. Medidas muito urgentes têm de ser tomadas, para frear a contínua destruição do meio ambiente. Um imposto sobre carbono é uma maneira de fazer isso. Se isso se tornasse uma proposta séria nos EUA, haveria uma imensa propaganda contrária, desencadeada pelas corporações – as empresas de energia e muitas outras –, para tentar aterrorizar a população. Diriam que, em caso de criação do tributo, todo tipo de coisa terrível aconteceria. Por exemplo, “você não será mais capaz de aquecer sua casa”… Se isso terá sucesso ou não, dependerá da capacidade de organização dos movimentos populares.


T. M. 

sábado, 28 de setembro de 2013

Objet : L'horloge de la cathédrale gènait la prière des islamistes !


HONTEUX  !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
  
 
   
 Voilà  les news les Amis !
   
 avant de faire  suivre ce genre de message je vérifie sur  internet..c'est malheureusement tout à fait  exact, même le motif et c est vrai que les  médias sont plus que muets

 
Christianophobie : un  iranien fracasse l’horloge du XIVe siècle de la  cathédrale Saint-Jean à  Lyon
 
 Muni d’une barre de fer, un  jeune iranien a fracassé l’horloge astronomique  de la cathédrale Saint Jean.
   Raison de cet acte  christianophobe ?
 L’horloge « empêcherait les  croyants musulmans de se concentrer sur leur  prière. »
 Samedi, vers 18 h 30, un iranien de  28 ans a, à l’aide d’une barre de  fer,
 a donné de violents coups  dans l’horloge astronomique de la cathédrale  Saint-Jean de Lyon (5e),
 brisant plusieurs parties de  l’œuvre.
 
Cette horloge, datant du  XIVe siècle, ne fonctionnait plus  dimanche.
 
Le délinquant a été placé en  garde à vue et  remis en liberté.
 
Ben...voyons...
  Imaginons la réaction des  autorités politiques Françaises si un chrétien  avait commis un acte équivalent dans une  Mosquée...

 Qu'auraient dit le   Barcelonais de l'intérieur, la Marocaine  Belkacem, l'Algerienne  Benguigui,l'italienne Filipetti, le  roumain Moscovici,la coréenne Pellerin, la  guyanaise Taubira, l'algerien Arif, etc...tous  nos ministres quoi!
  

 
La France est le seul pays  au monde à avoir autant de "nouveaux citoyens"  comme ministres.
 Cela explique peut être bien  des choses. Ils nous haïssent!!!
  TOUJOURS  AUX ORDRES DU PS, LA PRESSE EST  MUETTE> >>>
  Vous pourrez vérifier  sur http://rhone-alpes.france3.fr/2013/03/25/lyon-l-horloge-de-la-cathedrale-saint-jean-degradee-222533.html<http://rhone-alpes.france3.fr/2013/03/25/lyon-l-horloge-de-la-cathedrale-saint-jean-degradee-222533.html> 
 
Le silence médiatique me semble de plus en plus insupportable !

L.A.V.


Comment la santé est devenue un enjeu géopolitique

Ni l’altruisme ni la philanthropie n’expliquent la préoccupation des grandes puissances pour la santé mondiale. Mais plutôt des intérêts tantôt sécuritaires, tantôt économiques ou géopolitiques. Néanmoins, l’Europe pourrait mieux utiliser les fonds octroyés aux institutions internationales. La priorité revient à l’Afrique francophone, où se concentrent les défis des décennies à venir.

En 2000, cent quatre-vingt-treize Etats membres de l’Organisation des Nations unies (ONU) et vingt-trois organisations internationales se fixent huit Objectifs du millénaire pour le développement (OMD) : atteindre, d’ici à 2015, des « niveaux de progrès minimum » en matière de réduction de la pauvreté, de la faim, des inégalités, et d’amélioration de l’accès à la santé, à l’eau potable ainsi qu’à l’éducation (lire « Objectifs du millénaire pour le développement (OMD) relatifs à la santé »).
D’emblée, Mme Gro Harlem Brundtland, alors directrice de l’Organisation mondiale de la santé (OMS), identifie une priorité : dégager des financements à la hauteur du défi. Elle confie à M. Jeffrey Sachs, conseiller spécial du secrétaire général de l’ONU, M. Kofi Annan, la commission « Macroéconomie et santé » visant à accroître les investissements en faveur de la réalisation rapide des OMD dans la santé (1).
Entre 2000 et 2007, les financements mondiaux des pays en développement, provenant de partenariats public-privé associant le secteur industriel et commercial, notamment les fabricants de vaccins et de médicaments, ont été multipliés par quatre — par trois pour la période 2001-2010, atteignant un pic de 28,2 milliards de dollars en 2010. Les fonds américains publics et privés en constituent la plus grande part. La Fondation Bill et Melinda Gates a donné à elle seule près de 900 millions de dollars en 2012. L’Afrique aurait reçu 56 % des financements en 2010 (2). L’aide mondiale au développement a augmenté de 61 % sur cette période, pour atteindre 148,4 milliards de dollars en 2010.

Aux Etats-Unis, une question sécuritaire

Pourtant, 2015 approche, et la réalisation des OMD demeure toujours aussi lointaine en Afrique subsaharienne. L’insuffisance des financements n’explique qu’en partie ces retards : d’autres facteurs, moins connus, ont aussi joué un rôle important. Il est utile d’y revenir, alors que se prépare l’élaboration des « nouveaux objectifs » à mettre en œuvre après 2015.
De nombreuses études et recherches (3) montrent que l’allocation de l’aide mondiale ne repose pas seulement sur des critères épidémiologiques, de population, ou de charge de maladie, mais aussi sur ces puissants vecteurs que furent et que demeurent les intérêts commerciaux, les relations historiques et les rapports géopolitiques(lire « Mission inaccomplie en Afrique de l’Ouest »).
La relecture de l’histoire de la santé indique que la tenue des premières conférences internationales sur le sujet, au XIXe siècle, était moins motivée par le désir de vaincre la propagation de la peste, du choléra ou de la fièvre jaune que par la volonté de réduire au minimum les mesures de quarantaine, qui s’avéraient coûteuses pour le commerce… Ces tensions entre la médecine, la santé, les intérêts marchands et le pouvoir politique forment les termes d’une équation paradoxale inhérente à la question de la santé publique mondiale. L’accès des populations pauvres aux médicaments dans le cadre des Accords sur les aspects des droits de propriété intellectuelle liés au commerce (Adpic) exprime bien ces tensions, qui, dans le monde contemporain, peuvent aller jusqu’au bras de fer.
Les fondateurs et les partenaires du Fonds mondial de lutte contre le sida, la tuberculose et le paludisme présupposent que les stratégies de lutte contre ces trois maladies sont pertinentes dans tous les pays et qu’« il ne manque plus que l’argent ». Pour comprendre cette vision financière des enjeux de santé et ses limites en termes d’efficacité, il faut revenir sur le contexte dans lequel le Fonds mondial a été créé.
En 1996, M. William Clinton, alors président des Etats-Unis, publie une directive appelant à une stratégie davantage orientée vers les maladies infectieuses. Il s’agit là moins d’un élan d’altruisme que d’une préoccupation de sécurité nationale. Propagation, conséquences économiques, retard dans le développement de nouvelles molécules, résistance des agents infectieux aux antibiotiques, mobilité des populations, croissance des mégapoles, faiblesse des systèmes de santé des pays pauvres : ces sujets inquiètent l’administration américaine, et ce bien avant les attentats du 11 septembre 2001.
Dès 1997, l’Institut de médecine, instance de référence scientifique américaine, publie un rapport expliquant que la santé mondiale est« d’un intérêt vital pour les Etats-Unis ». Pour la première fois apparaît l’expression global health, que nous traduisons par santé mondiale :« Les pays du monde ont trop en commun pour que la santé soit considérée comme une question relevant du niveau national. Un nouveau concept de “santé mondiale” est nécessaire pour traiter des problèmes de santé qui transcendent les frontières, qui peuvent être influencés par des événements se produisant dans d’autres pays, et auxquels de meilleures solutions pourraient être envisagées par la coopération (4). »
Alors que le sida se propage en Afrique australe de manière spectaculaire, la publication en 1999 par le ministère de la défense sud-africain de taux élevés de prévalence de l’infection par le virus de l’immunodéficience humaine (VIH) chez les militaires de nombreux Etats d’Afrique alarme les autorités. Les capacités de défense nationale ne seraient, à court terme, plus suffisantes pour faire face à des conflits internes ou externes. Selon l’International Crisis Group (ICG), de nombreux pays « ne seront bientôt plus en mesure de contribuer aux opérations de maintien de la paix (5) ». Sur la période 1999-2008, le Conseil national des services de renseignement du gouvernement américain, le National Intelligence Council (NIC), centre de réflexion stratégique, publie six rapports sur la santé mondiale. Fait inédit, ces documents définissent une maladie comme un « agent de menace non traditionnel » pour la sécurité des Etats-Unis, dont les bases militaires constellent la planète.
Cette « menace » va parvenir jusqu’aux Nations unies. Pour la première fois de son histoire, le 10 janvier 2000, à New York, le Conseil de sécurité inscrit à l’ordre du jour de sa réunion un thème qui n’est pas lié à un risque direct de conflit : « La situation en Afrique : l’impact du sida sur la paix et la sécurité en Afrique ». Les Etats-Unis président les échanges, avec le vice-président Albert Gore le matin et l’ambassadeur des Etats-Unis à l’ONU, Richard Holbrooke, l’après-midi. Il en sortira plusieurs résolutions. L’article 90 de la résolution de la session spéciale de l’Assemblée générale des Nations unies du 27 juin 2001 appelle à la création d’un « fonds mondial santé et VIH-sida afin de financer une réponse urgente à l’épidémie selon une approche intégrée de prévention, de prise en charge, de soutien et de traitement, et d’appuyer les Etats dans leurs efforts contre le sida, avec une priorité donnée aux pays les plus touchés, notamment en Afrique subsaharienne et dans les Caraïbes ».
Le Fonds mondial voit le jour grâce à la mobilisation des membres du G8 par M. Annan. Loin du « fonds santé et sida » recommandé, le mandat du partenariat public-privé (PPP) mondial porte seulement sur le sida, la tuberculose et le paludisme. La politique de sécurité nationale américaine se nourrit de peurs plus ou moins fondées contre lesquelles il faut lutter : le communisme, le terrorisme, les maladies… Tels sont les « traumatismes » inspirant les politiques de défense des Etats-Unis, qui n’hésitent pas, pour défendre leurs positions sur les enjeux de santé mondiale, à instrumentaliser le Conseil de sécurité des Nations unies.
Après une décennie marquée par la guerre en Afghanistan et en Irak, la stratégie de M. Barack Obama consiste à emmener son pays vers d’autres combats que les « conflits à l’extérieur ». Il s’agit de « restaurer le leadership américain à l’étranger », y compris pour relever les défis liés au contrôle des épidémies, thème expressément mentionné dans la stratégie de sécurité nationale en 2010. Lorsque le gouvernement annonce, en juillet 2012, la création au sein du département d’Etat de l’Office of Global Health Diplomacy — institué juste avant le départ de Mme Hillary Clinton —, il affirme vouloir prendre le contrôle et le pouvoir. « Nous avons recommandé de passer du leadership en interne[c’est-à-dire entre les agences nationales de coopération sanitaire] au leadership mondial par le gouvernement américain », précise le communiqué. « Les Etats-Unis ont bien compris qu’au fond la véritable puissance, aujourd’hui, c’est de pouvoir jouer dans les deux sphères, interétatique et transnationale », analyse l’historien des relations internationales Georges-Henri Soutou (6).

Choix financiers sous influence

L’analyse des facteurs qui ont façonné les politiques sanitaires de ces dernières décennies permet de distinguer trois conceptions : la santé mondiale comme investissement économique, comme outil sécuritaire et comme élément de politique étrangère (sans même parler de charité ou de santé publique, deux composantes supplémentaires qui, d’après David Stuckler et Martin McKee, complètent l’ensemble (7)). En politique, la notion de sécurité implique l’urgence, le court terme et le contrôle des maladies contagieuses, plutôt que l’approche holistique et systémique de long terme qu’exigerait le renforcement des capacités institutionnelles des systèmes de santé. La pérennité des interventions financées pendant près de quinze ans en est fragilisée.
Ces observations aident à comprendre pourquoi l’aide n’est que d’une efficacité limitée : quels que soient les montants alloués par le Fonds mondial ou par le gouvernement américain au travers du plan d’urgence de lutte contre le sida (Pepfar (8)), les performances de ces programmes sur le terrain s’avèrent décevantes. La pertinence des financements en faveur de la prévention, ou l’ajustement des interventions à des dynamiques démographiques, urbaines, sociales, économiques ou conflictuelles, et aux spécificités nationales de la propagation, sont autant d’éléments fondamentaux relativement peu pris en compte.
Trente ans après le début de la pandémie, peu de moyens sont alloués à la recherche locale, épidémiologique, anthropologique et économique au service de la décision. Pour deux personnes mises sous traitement, cinq nouvelles infections se produisent. Le retentissement des violences sexuelles sur la féminisation de la pandémie en Afrique n’est pas même une hypothèse de recherche, sur un continent où les conflits armés se multiplient ! A l’échelle internationale, le détournement de quelques millions de dollars du Fonds mondial suscite davantage l’indignation que l’absence d’analyse, dans les pays mêmes, de l’efficacité des stratégies. Opérés sous influence, les choix financiers privilégient pourtant le paradigme curatif de la santé, au bénéfice de l’industrie pharmaceutique, plutôt que la prévention de la transmission du VIH.
De la multiplication des acteurs de l’aide au développement émergent des conflits de gouvernance entre « décideurs » et « partenaires », ce qui entraîne une dilution des responsabilités : qui doit rendre des comptes sur l’utilisation des financements alloués au travers de partenariats mondiaux ou de mécanismes innovants, quelle que soit la thématique ? Pour les aspects financiers, la responsabilité relève du conseil d’administration du Fonds mondial, plutôt que du seul secrétariat exécutif. Les aspects techniques et stratégiques sont censés être traités par les pays et leurs partenaires (Onusida, Fonds des Nations unies pour l’enfance — Unicef — et OMS). Si les agences de l’ONU ont apporté un appui technique aux Etats, leurs équipes ont-elles su les accompagner vers une vision stratégique qui tienne compte de leurs spécificités pour enrayer les trois pandémies ? Si la réponse est non, il est temps de l’assumer.
L’Afrique, la France et l’Europe seront confrontées au cours des décennies à venir à des défis hors normes. La population du continent noir va doubler d’ici à 2050, passant de un à deux milliards d’habitants, soit 20 % de la population mondiale. D’après l’économiste François Bourguignon, invité au Collège de France pour présenter son ouvrage sur la « mondialisation de l’inégalité », la pauvreté — au sens strict — sera un problème exclusivement africain d’ici à 2040 ou 2050 (9).
Transitions démographique et épidémiologique sont en marche sur un continent qui s’urbanise rapidement, et où des maladies chroniques dont nous n’avons pas encore mesuré l’ampleur deviennent plus massives : cancers, diabètes, maladies cardio-vasculaires et respiratoires, problèmes de santé mentale, maladies liées aux pollutions environnementales… Ces affections, non ou tardivement dépistées et diagnostiquées, se propagent telles de nouvelles pandémies, en plus des accidents sur la voie publique, ajoutant à la charge de travail de personnels de santé déjà en nombre très insuffisant.
Les inégalités de santé s’inscrivent dans le sillage des inégalités économiques et sociales. Les systèmes d’assurance- maladie et de protection sociale se mettent en place trop lentement et inégalement d’une région à l’autre. La « couverture sanitaire universelle » serait utile aux populations pauvres si elle était un moyen au service d’une politique fondée sur les priorités nationales, et en particulier sur la prévention.
Compte tenu des liens historiques et des relations politiques, économiques et commerciales que la France et l’Europe entretiennent avec l’Afrique subsaharienne depuis quelques siècles, la contribution politique, leur expertise et leurs financements sont encore attendus, et ne doivent pas s’effacer derrière les priorités américaines. La situation en Afrique francophone de l’Ouest et du centre appelle des réactions massives sur le long terme.
A faire converger les objectifs de développement avec ceux du développement « durable » pour le monde d’après 2015, nous prenons le risque de ne nous intéresser qu’aux enjeux mondiaux communs, et de négliger une nouvelle fois les Etats fragiles et les populations les plus vulnérables. Les priorités, pour ceux-ci, sont plutôt l’éducation des filles (jusqu’au niveau de l’enseignement supérieur), la santé des femmes enceintes, les maladies tropicales ignorées et les capacités institutionnelles à élaborer et à gérer des politiques complexes.
Ne perdons pas de temps à plaider en faveur de la santé : « Ceux qui se posent la question de savoir si une meilleure santé est un bon instrument de développement négligent peut-être l’aspect le plus fondamental de la question, à savoir que santé et développement sont indissociables, insiste Amartya Sen. Il n’est pas nécessaire d’instrumentaliser la santé pour en établir la valeur, c’est-à-dire d’essayer de montrer qu’une bonne santé peut également contribuer à stimuler la croissance économique. » Privilégions, pour chacun sur la planète, l’idée d’une santé durable, plutôt que le seul mécanisme de financement qu’incarne la couverture sanitaire universelle, désormais présentée comme un objectif de développement durable.
Dominique Kerouedan
Professeure au Collège de France, titulaire de la chaire « Savoirs contre pauvreté » (2012-2013). Auteure de Géopolitique de la santé mondiale,Fayard, Paris, 2013. A également dirigé l’ouvrage Santé internationale. Les enjeux de santé au Sud, Presses de Sciences Po, Paris, 2011.
(1) Lire Philippe Rekacewicz, «  Défis du Millénaire en matière de santé  », Le Monde diplomatique, juin 2013.
(2) «  Financing global health 2012 : The end of the golden age  ?  », Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME), Seattle, février 2013.
(3) Etudes d’évaluation à cinq ans du Fonds mondial en 2008  ; rapport de la Cour européenne des comptes sur l’appui de la Commission aux services de santé en Afrique subsaharienne, 2009  ; études sur plusieurs années de l’IHME.
(5) «  HIV/AIDS as a security issue  », International Crisis Group, 19 juin 2001.
(6) Georges-Henri Soutou, «  Le nouveau système international  », Aquilon, n°5, Paris, juillet 2011.
(7) David Stuckler et Martin McKee, «  Five metaphors about global-health policy  »,The Lancet, vol. 372, n°9633, Londres, juillet 2008.
(8) The United States President’s Emergency Plan for AIDS Relief, www.pepfar.gov
(9) François Bourguignon, La Mondialisation de l’inégalité, Seuil, coll. «  La république des idées  », Paris, 2012. Cf. aussi «  Towards the end of poverty  », The Economist,Londres, 1er juin 2013.

=Le Diplomatique=