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sábado, 20 de julho de 2013

Cada vez mais Gregos

O ministro das Finanças alemão chegou ontem a Atenas para supostamente mostrar "confiança" nos gregos e na sua capacidade de concretizarem a austeridade imposta pela ‘troika'.
 Bruno Proença 
O ministro das Finanças alemão chegou ontem a Atenas para supostamente mostrar "confiança" nos gregos e na sua capacidade de concretizarem a austeridade imposta pela ‘troika'. Para presentear a visita, o parlamento grego aprovou na madrugada anterior o despedimento de 25 mil funcionários públicos, através de um mecanismo semelhante ao que está a ser implementado em Portugal: a mobilidade especial ou, na versão governamental, a requalificação. Este episódio deve ser uma revelação para os portugueses. Nos últimos três anos, a desgraça grega tem sido uma antecipação do que acaba por acontecer a Portugal, nomeadamente a falência do país, o pedido de ajuda internacional e aceitação de fortes pacotes de austeridade impostos pelos credores.

Durante muito tempo, os gregos foram boicotando a aplicação das medidas combinadas com a ‘troika'. Ficaram famosas as manifestações violentas, as greves gerais e a crise política que fez a extrema-esquerda sonhar com o poder. Resolveu alguma coisa? Obviamente que não. Internamente, a Grécia continua mergulhada numa depressão económica, com uma taxa de desemprego que supera os 25%. Externamente, os credores desconfiam dos gregos, por isso não têm acesso a financiamento. E já foram obrigados a um segundo resgate que implicou uma reestruturação da dívida. Com isto, mais austeridade e as reformas duras lá vão sendo implementadas.

Como se vê, o exemplo grego está longe de ser feliz. Ser cábula e rebelde resolve pouco. Por isto, desde o arranque da aplicação do memorando que Portugal fez - e bem - um esforço para se afastar da Grécia. No último ano, à custa de todas as dificuldades suportadas pelos portugueses derivadas do agravamento fiscal, dos cortes nas transferências sociais e nos salários da função pública, foi possível uma aproximação à Irlanda e um afastamento do caso grego. Isto notou-se na redução das taxas de juro e em algumas operações com dívida pública de médio prazo realizadas pelo Governo.

Porém, nas últimas três semanas, perdeu-se tudo. Com a irresponsabilidade dos políticos, Portugal inverteu a trajectória e correu na direcção da Grécia. Primeiro, a demissão de Gaspar, depois a de Portas, uma remodelação em suspenso, o discurso de Cavaco Silva e um incerto compromisso de salvação nacional mostram que o país está a caminhar para o abismo. Os juros rapidamente subiram e fixaram-se acima dos 7%, os investidores afastam-se e a ‘troika' perde confiança. A solução à irlandesa do programa cautelar pode ser substituída por um segundo resgate, tal como aconteceu na Grécia.

Este caminho ainda não é irreversível. Portugal ainda vai a tempo de escapar ao abismo mas o pântano político tem que se clarificar rapidamente. Os partidos políticos devem chegar a um acordo político que seja substantivo. Ou seja, que garanta a reforma do Estado, um tecto para a despesa e uma trajectória consistente de descida da dívida pública. Portugal pode tentar renegociar parte do memorando mas não pode entrar em incumprimento unilateral. Esta tentação defendida pela esquerda seria empurrar o país para um segundo resgate e austeridade ainda mais dura. Portugal deve continuar a cumprir, ter posições consistentes para negociar com a Europa e fugir da Grécia.

=Económico=

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