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domingo, 14 de julho de 2013

Rajoy manteve-se em contacto com Bárcenas até Março e pediu-lhe silêncio

Líder da oposição socialista, Alfredo Rubalcaba, exigiu a "demissão imediata" do chefe do governo por considerar a situação politicamente "insustentável.
O presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy (Partido Popular, direita), que dissera não ter ideia de quando falara pela última vez com Luis Bárcenas, manteve contacto com o ex-tesoureiro até Março deste ano. Encontraram-se, trocaram emails e mensagens de telemóvel e falaram ao telefone. "Estamos a fazer o que podemos", diz uma dessa mensagens, "ânimo, Luis".
O conteúdo das mensagens foi revelado este domingo pelo jornal El Mundo, tendo a agência EFE conseguido uma reacção do executivo à notícia. Fontes populares disseram que esta divulgação é uma estratégia de Bárcenas para desviar as atenções do caso judicial contra si e só provam que age por vingança ao não ter conseguido o que pedia a Rajoy.
O líder da oposição socialista, Alfredo Rubacalba, exigiu este domingo a "demissão imediata" do Governo e declarou que o seu partido rompia todas as relações com o PP. "Face à situação política insustentável que a Espanha atravessa, o partido socialista vê-se obrigado a exigir a demissão imediata do chefe do Governo, Mariano Rajoy", disse Rubacalba que após a divilgação das mensagens convocou uma conferência de imprensa em Madrid.
Luis Bárcenas, que chegou ao cargo de tesoureiro do Partido Popular (direita) por nomeação de Rajoy, foi investigado devido a outra rede de corrupção que envolve os populares e que é conhecida por Caso Gürtel. De início, e durante quase um ano, manteve-se em silêncio devido ao apoio que recebia do presidente do Governo.
O complicar do caso levou os populares a deixarem cair o seu ex-tesoureiro, que chegou a ter 47 milhões de euros em contas na Suíça — no sábado o juiz Rus ordenou o congelamento de mais cinco contas, estas em Espanha — e que alimentavam uma contabilidade paralela no PP e o pagamento de donativos por baixo da mesa a figuras importantes do partido. Mariano Rajoy surge nos documentos que o ex-tesoureiro entregou à Justiça como tendo recebido cerca de 25 mil euros desse dinheiro (que era entregue em sacos e caixas de charutos), violando a Lei das Incompatibilidades.
Decidiu revelar agora as mensagens porque não gostou da atitude do porta-voz do PP no Parlamento, Alfonso Alonso, que no final da semana passada disse que Bárcenas não passa de "um delinquente que fez da mentira o seu estilo de vida".
Na segunda-feira o antigo tesourteiro dos populares começa a ser ouvido pelo juiz que preside às investigações Gürtel e Bárcenas.
Os jornais espanhóis questionam nas edições deste domingo se Mariano Rajoy, que marcou uma conferência de imprensa para segunda-feira em conjunto com o seu homólogo da Polónia, responderá finalmente às pergunats dos jornalistas ou optará por manter-se em silêncio sobre o assunto. A última vez que s epermitiu uma declaração pública sobre a polémica, a 3 de Julho, foi precisamente para dizer que não falará.

A oposição tentou na semana passada que uma sessão de esclarecimento com Rajoy fosse agendada no Parlamento, mas a maioria popular chumbou a proposta. Antes destas novas revelações, os partidos tinham anunciado que iriam fazer novas tentativas e Rubacalba levantara a hipótese de apresnetar uma moção de censura ao Governo.
O ex-tesoureiro revelou que esta contabilidade paralela existie (ou existiu) durante 30 anos. Preso desde o dia 27 de Julho (a mando do juiz Pablo Rus para "evitar o risco de fuga e assegurar a preservação das provas"), Bárcenas não mais deixou de fazer revelações que podem acabar com a credibilidade já minada de Rajoy — terá mentido quando disse que a contabilidade paralela não existe e que nunca beneficiou de pagamentos ilegais, e foi tão vago que roçou a mentira ao dizer que não tinha ideia sobre a última vez que teve contacto com o ex-tesoureiro.
As mensagens mostram que esse contacto foi regular entre Maio de 2011 e Março de 2013. O El Mundo diz que Rajoy pede ao ex-tesoureiro para negar a existência da contabilidade parelela e os pagamentos. Em algumas das conversas a mulher de Bárcenas, Rosalia Iglesias, também participa.
Num SMS de 2012 Rajoy tenta acalmar Bárcenas: "Luis, nada é fácil, mas fazemos o que podemos. Ânimo". Já em 2013, dois depois de o El Mundo ter noticiado a contabilidade paralela e os pagamentos a políticos, o presidente do Governo insiste com Bárcenas para "ser forte".

=Público=

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