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sexta-feira, 29 de abril de 2011

O patinho, a doninha e o porco-espinho



Pela estrada fora iam as mães pata e doninha, quando se lembraram de a atravessar tranquilamente. Cada uma levava o seu filhote quando, subitamente surge um camião a alta velocidade. Aflitas, apressaram-se a salvar os filhos, empurrando-os rapidamente para a berma, mas não tiveram tempo de se salvar a si próprias. O camião matou-as, deixando orfãos os pequenitos filhotes, sozinhos no mundo.

O patinho começou a chorar compulsivamente e a doninha tentou ajudá-lo: “porque choras tanto, meu amigo?” «É que minha mãe morreu tão de repente, que nem tempo teve de me dizer quem sou e donde vim. Nada». A doninha, então, disse-lhe: “Mas, é fácil e eu posso ajudar-te. Olha, és pequenino, amarelo, tens patas com nadadeiras e fazes quá-quá… só podes ser um patinho».

Este ficou feliz da vida. Mas, no mesmo instante, olhou para a doninha, pensando que a sua situação era igual à sua, e desatou a chorar. Então, a doninha perguntou-lhe: «porque estás a chorar, agora que sabes quem és?» O patinho fez-lhe ver que a sua própria situação era a mesma que a dele, o que a levou a ficar apreeensiva e a chorar também, enquanto soluçando tentava explicar ao patinho que tinha razão e que o seu problema era também triste e grave, pis não sabia quem era, donde tinha vindo nem quem era o seu pai…

O patinho aconselhou-lhe calma, dizendo que o ajudaria: “olha, pensa comigo. Cheiras muito mal, és muito feia, o teu corpo é preto e branco, não sabes quem é o teu pai, não tens mãe, só podes ser uma doninha portuguesa”.

O choro aumentou e, ao que parece, dura ainda, o que me leva a falar agora do porco-espinho que, no princípio dos tempos, e não apenas eles mas muitos animais morriam de frio. Ora, percebendo a situação, os porcos-espinhos ou ouriços caxeiros, percebendo a situação, resolveram unir-se em grupos, para se agasalhares e protegerem mutuamente; só que os espinhos os feriam uns aos outros, precisamente os que ofereciam mais calor.

Por isso, resolveram afstar-se, mas começaram a ficar gelados. Era preciso fazer uma escolha: ou desapareciem da Terra ou aceitavam ser picados uns pelos outros.

Sabiamente, decidiram ficar unidos. Assim aprenderam a conviver com as pequenas feridas que a relaçºao com uma pessoa muito próxima pode causar, já que o mais importante era o calor do outro, assim sobrevivendo.

Moral da história: «O melhor relacionamento não é o que une pessoas perfeitas, mas aquele onde cada um aprende a conviver com os defeitos dos outros e a admirar as suas qualidades.

E, já agora, um conselho: “Nunca te justifiques. Os amigos não precisam e os inimigos não acreditam”.

Segundo dizem hoje, andam alguns por aí a querer que sejamos «patinhos, doninhas e até ouriços-cacheiros, entre outros…», para poderem fazer o que bem entendem. Mas, como sentem um certo receio, preferem-nos bem longe…

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