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quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Austeridade põe euro em ciclo vicioso: Grécia em vias de novo resgate

FMI pede a Bruxelas que perdoe 7 mil milhões da dívida grega. Mas Schäuble, cujo país já ganhou 41 mil milhões com a crise, não deixa

A crise do euro parece condenada a um ciclo vicioso com os gregos cada vez mais próximos de um terceiro resgate. Wolfgang Schäuble reconheceu-o ontem, depois de fonte do Ministério das Finanças grego ter dito à Reuters que o país não tem financiamento assegurado para sobreviver a 2014, 2015 e 2016. "A Grécia e os seus credores estão a analisar várias formas de resolver esta escassez de financiamento", disse a mesma fonte.

Depois destas declarações, e independentemente da estratégia europeia de promover a reeleição de Angela Merkel na Alemanha, o governo alemão já não conseguiu fingir mais que a receita que decretou para a crise está a correr bem. "Haverá, mais uma vez, um programa de ajuda à Grécia", disse ontem o ministro das Finanças alemão. "Há muito tempo que se fala disto [terceiro pacote de ajuda]. O Bundesbank já falou sobre isso", disse Schäuble, referindo-se a um relatório em que está bem claro que Atenas precisa de um terceiro resgate no início de 2014. Até ontem, porém, nem Berlim nem Bruxelas ousavam admitir esta hipótese - com medo das repercussões que este novo falhanço terá nas eleições alemãs.

O relatório citado por Schäuble refere, entre outros pontos, que são "necessárias novas ajudas à economia helénica de forma a evitar mais turbulência no país e uma nova crise do euro", segundo o diário espanhol "El País". Mas se o terceiro resgate é já assumido, um novo perdão à dívida grega continua a ser tabu para os alemães - o ministro das Finanças avançou ontem que o perdão da dívida realizado aquando do segundo resgate grego foi um evento "único". E para quem não percebeu, rematou que esta posição é final, independentemente da evolução da Grécia.

Se de Berlim e Bruxelas a posição é cada vez mais pesada em relação aos gregos, já o Fundo Monetário Internacional vê as coisas por um prisma totalmente diferente: "Os parceiros europeus devem ponderar um alívio da dívida que permita a redução mais rápida da dívida de Atenas", recomendou o Fundo no final de Julho, altura em que avaliou em 11 mil milhões de euros as necessidades de financiamento gregas além dos dois resgates.

Segundo os cálculos do FMI, os países europeus que emprestaram dinheiro à Grécia nos dois anteriores resgates - que, à imagem do empréstimo a Portugal, foi aprovado mediante a cobrança de juros altos a Atenas - deviam agora perdoar pouco mais de 7 mil milhões de euros dessa dívida, o equivalente a 4% do PIB da Grécia, de modo a pôr o país de vez no caminho da sustentabilidade. Porém, a postura com que os líderes europeus venderam nos seus países estas ajudas - como se fossem solidariedade e que os aflitos mereciam ser castigados - dificulta que se tome o caminho sugerido pelo FMI: os alemães interpretam os empréstimos do seu país aos outros como caridade, esquecendo por exemplo os 41 mil milhões de ganhos que Berlim já conseguiu desde 2010 com esta solidariedade. Agora bastavam 17% destes ganhos alemães para equilibrar as contas gregas. Mas Schäuble não deixa.


=Jornal i=

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