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terça-feira, 27 de agosto de 2013

EUA dizem que ataque químico na Síria é "indesmentível" e não ficará impune

Presidente Obama “tomará em breve uma decisão informada”.
"O nosso sentido básico de humanidade fica ofendido" pela "tentativa cínica de encobrir" este ataque, disse Kerry

Os Estados Unidos sabem que Bashar al-Assad usou armas químicas contra “os mais vulneráveis”, disse esta segunda-feira o secretário de Estado norte-americano, John Kerry. Isso “é inegável” e “indesculpável” – “uma obscenidade moral” que devia “abalar a consciência do mundo” e que não pode ficar “sem consequências”.
Numa declaração aos jornalistas, Kerry lembrou que os inspectores da ONU só estão no terreno para recolherem provas adicionais e que a sua investigação “não vai determinar quem usou” as armas químicas que mataram centenas de sírios.
“O nosso entendimento sobre o que aconteceu está fundamentado em factos”, disse, descrevendo como “cínicas” as tentativas do regime de Assad “para encobrir” os seus actos. “O nosso sentido básico de humanidade fica ofendido, não só por este crime cobarde mas também pela cínica tentativa de o encobrir.”
Quem argumentar que este ataque não aconteceu “precisa de pôr a mão na consciência e de rever os seus padrões morais”, defendeu o chefe da diplomacia de Barack Obama.
As imagens dos ataques, fotografias tiradas por fotojornalistas e activistas, vídeos divulgados por médicos e opositores, são “reais e convincentes”, não são “artificiais nem fabricadas”, afirmou.
“Voltei a ver os vídeos, os vídeos que qualquer pessoa pode ser nos mediasociais. É muito difícil expressar em palavras o sofrimento humano…”, disse Kerry. “Como pai, não posso tirar estas imagens da cabeça, um pai a segurar a cabeça do seu filho morto, a gemer.. famílias inteiras mortas na suas camas, sem um pingo de sangue.”
Kerry disse ter passado os últimos dias em contacto com aliados, mas também com responsáveis de países menos próximos. Os ataques de quarta-feira da semana passada não deixaram ninguém indiferente. A convicção de que um crime destes não pode ficar impune “é partilhada mesmo por países que concordam em muito pouco”.
Cinco dias depois do ataque com armas químicas contra várias localidades dos arredores de Damasco, Kerry lembrou que já passaram quatro dias desde que fez um raro telefonema ao ministro dos Negócios Estrangeiros sírio, Walid Muallem, pedindo-lhe acesso “imediato” dos inspectores aos locais atingidos. Um acesso que só foi autorizado no domingo e concretizado nesta segunda-feira.
Por tudo isto, assegurou Kerry, o Presidente Obama “tomará em breve uma decisão informada”. “Nada hoje é mais sério” do que a situação na Síria, sublinhou.
Antes da intervenção de Kerry, já se sabia que norte-americanos, britânicos, franceses e turcos tinham conversado e chegado a um entendimento para agir. Obama disse há um ano que o uso de armas químicas era a “linha vermelha” que Assad não podia cruzar sem sofrer consequências e os ataques da semana passada tiveram uma dimensão demasiado grande para que essas palavras pudessem passar em branco.
Russos e iranianos repetiram ao longo do dia que qualquer tipo de intervenção militar externa na Síria “terá consequências devastadoras”. Numa entrevista ao jornal russo Izvestiya, Assad descreveu as acusações de que atacou a população síria com armas químicas como “um insulto ao senso comum”. Se atacarem a Síria, diz Assad, “os Estados Unidos vão fracassar como fracassaram em todas as guerras que começaram nos últimos anos, a começar pelo Vietname”.
=Público/Mundo=

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