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domingo, 8 de maio de 2011

Ousadia moral



Uma velha teoria explica as guerras generalizadas como inevitável irritação da História: as situações envelhecem e tornam-se insuportáveis, para estourarem em conflitos sangrentos.

Alguns vêm-nas como auto-regeneração do mundo, ao contribuirem para o equilíbrio demográfico. Outros, atribuem à centelha diabólica que dorme no coração dos homens e incendeia o ódio colectivo.

O mundo acabará sem que entendamos a filosofia do absurdo. Para os humanistas, são repugnantes os massacres colectivos, tanto como os assassinatos singulares.

De qualquer foma, a história tem, como eixo de tensão permanente entre guerra e paz, entre a competição e o entendimento, entre o egoísmo que se multiplica no racismo e na solidariedade internacinal.

Uma coisa é certa: quando os mais fortes querem, não lhes faltam argumentos trôpegos para justificar a agressão. La Fontaine soube reduzir esse comportamento na fábula do lobo e do cordeiro. Quando o lobo quer, os filhos são responsáveis por falsas culpas dos pais e as águas sobem os rios.

É interessante registar, na questão do Médio Oriente, algumas dúvidas que assaltam o homem comum.

A primeira é a do direito de os detentores de arma atómicas decidirem quem pode e quam não pode desenvolver a tecnologia nuclear. Mais ainda, quando o árbitro é o governo dum país que usou, criminosamente, ao arrasar, sem nenhuma razão táctica ou estratégica, duas cidades inteiras e indefesas do Japão.

Reduzidas a dimensões do absurdo, podemos aceitar como lícitas as associações criminosas, como as dos narcotraficantes.

Posuidores de bom armamento, impõem a sua lei às comunidades, sob a ameaça de metralhadoras ou pistolas automáticas e da tortura. Chegamos assim à sociologia política, indirectamente abonada por Weber e outros, que admite todo o poder de facto, sem discutir a sua legitimidade ética.

O momento histórico é de grande oportunidade para a humanidade e de grande perigo também. A República dos Estados Unidos é um lobo ferido nas suas entranhas. Por mais que disfarcem o choque, a eleição de Barack Hussein Obama friu as glândulas da tradição conservadora da Nova Inglaterra.

A águia encolheu as asas. A maioria dos estados e, neles, a maioria dos eleitores, decidiu por um homem mestiço, filho de pai negro e mãe branca, nascido numa colónia dissimulada em estado, o Havai; e que passou o período mais importante da frmação, a adolescência, na ásia, na Indonésia muçulmana e no arquipélago em que nasceu.

No inconsciente colectivo, os Estados unidos já sentem a decadência, que se acelerou com o neoliberalismo.

Poderão administrá-la com inteligência, integrando-se numa humanidade que necessita, com urgência, de novos parâmetros e de nova tecnologia, capazes de preservar a natureza, hoje em acelerada erosão, ou entrar no desespero. Se assim acontecer, conduzirão o mundo a nova guerra.

Por enquanto, os falcões parecem contar com a Europa e com a China, no caso do Irão sobretudo. Mas não há, nos horizontes movediços de hoje, país suficientemente forte, capaz de se impôr aos demais.

A Europa desce a ladeira, com a sua bolsa de euros de barro, e a União Europeia encontra-se ameaçada de fragmentação. A China é uma nebulosa impenetrável.

O capitalismo financeiro descolou-se de qualquer compromisso, se algum dia o teve. O sistema tona-se mais selvagem quando se vale dos instrumentos tecnológicos de operação universal instantânea.

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