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terça-feira, 26 de março de 2013

Continente europeu resgata Chipre, mas impõe confisco


O presidente do país, Nicos Anastasiades, reconheceu que plano de "salvamento" da União Europeia e o Fundo Monetário Internacional é "doloroso"


Nicósia O Chipre conseguiu um resgate da Eurozona, mas o acordo exige uma reestruturação de seu hipertrofiado setor bancário e confiscos dos depósitos mais volumosos, em muitos casos de correntistas russos, e abre uma era de incertezas sobre seu futuro econômico.

"Finalmente, o Chipre sai de um período de incerteza e de insegurança para a economia. Foi evitada uma suspensão de pagamentos, o que teria significado deixar a zona do euro, com consequências devastadoras", afirmou o porta-voz do governo cipriota, Christos Stylianidis.

A chanceler alemã, Angela Merkel, se declarou "muito satisfeita" com o plano, que permitirá à ilha "evitar a falência e colocar os que contribuíram para o problema diante de suas responsabilidades".

O presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, pediu que o acordo seja aplicado "o mais rápido possível". Nicósia deverá pagar um preço elevado pelo resgate, que prevê o fechamento e a liquidação do Banco Laiki, o segundo maior do país, que será dividido em um "banco ruim" (entidade residual destinada a desaparecer progressivamente) e um "banco bom", no qual serão reunidos os depósitos inferiores a 100.000 euros, beneficiados de uma garantia pública na União Europeia (UE).

Setor redimensionado

Esta medida terá por efeito reduzir consideravelmente o tamanho do setor bancário cipriota, apontado como superdimensionado em relação à economia da ilha, já que representa oito vezes seu Produto Interno Bruto (PIB). O maior banco do país, o Bank of Cyprus, vai incorporar os depósitos garantidos do Laiki Bank. Também assumirá as dívidas deste com o Banco Central Europeu (BCE), que chegam a nove bilhões de euros. Mas os correntistas do Bank of Cyprus também sofrerão um forte confisco de 30% dos depósitos, anunciou Stylianidis.

Dificuldades

O presidente do Chipre, Nicos Anastasiades, reconheceu na noite desta segunda-feira que o acordo concluído com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional sobre o resgate do Chipre é "doloroso", mas considerou que a ilha mediterrânea vai se recuperar, em um discurso transmitido pela televisão.

A quebra foi evitada graças a um plano de última hora concluído na noite de domingo para segunda-feira em Bruxelas, mas seus dois principais bancos pagarão um pesado preço.

A.     P.

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