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sábado, 16 de março de 2013

FRANCISCO I, CONTINUADOR DE JOÃO PAULO II?


Nos dias atuais, veio à tona a revelação do fortíssimo lobby, capitaneado pela CIA,  destinado à eleição de João Paulo II ao papado.  O cardeal Karol Wojtyla  -  antes convenientemente tido como progressista e adepto do pensamento do Concílio Vaticano II  - tão logo assumiu o papado, impulsionou uma campanha oculta, com a forte participação da CIA (sobretudo com o decisivo aporte financeiro desta), contra o regime comunista da Polônia.  Inclui-se, aí, o visível apoio  ao sindicato Solidariedade.  O resultado foi a queda do governo comunista polonês, o que armou o gatilho  do efeito dominó que esfacelou, logo em seguida, o império comunista da URSS. 

Na contemporânea fase luminosa  da América do Sul, o império norte-americano promove um mal dissimulado enfrentamento, em maior ou menor grau, contra os diversos governos progressistas da Região.  A nova modalidade de golpes de Estado aplicada em Honduras e Paraguai  -  dada a entender como ameaça,  pelos arreganhos  de dentes de poderosos membros dos poderes legislativo e/ou judiciário, contra os governantes dessas democracias sul-americanas  -,  tanto pode representar advertência ou uma experiência-pitolo para golpes de Estado mais ambiciosos envolvendo, por exemplo, governos como o do Brasil e Argentina. 

A renúncia de Bento XVI veio a calhar para os interesses geopolíticos dos EUA nesta parte do mundo.  Esse acontecimento, para cuja ocasião  o cardeal Jorge Mario Bergoglio já vinha se preparando  -  por incrível que pareça  -   desde 2010 (vide informe abaixo a esse respeito), criou a oportunidade para a eleição de um papa (o próprio Bergoglio, como já se viu),   na medida exata para os interesses geopolíticos do imperialismo ianque na América Latina.
O tal pontífice, assim como João Paulo II o foi,  é justamente um homem anticomunista obcecado, o ultra conservador  Bergoglio, um ser "clarividente", como indica o relato a seguir::
                   
                Em 2010, "ansioso pela possibilidade de assumir o papado em caso de renúncia de Joseph Ratzigner, Bento 16, Bergoglio encomendou uma operação de 'limpeza' de seu nome.  Segundo reportagem do jornal argentino Página/12, o livro El Jesuíta foi escrito com a intenção de desfazer as más impressões criadas em torno do religioso pelo período em que comandou a Companhia de Jesus, entre 1973 e 1979".  [Trecho extraído de matéria contida no e-mail encimado pelo "Assunto:  Papa Chico 1º  é associado a sequestros de jesuítas e bebê durante ditadura argentina" - veiculado pelo amigo Tarcílio, do bloglimpinhoecheiroso].

Se, durante a ditadura argentina, a  atuação  do cardeal Bergoglio   -  de cuja obsessividade contra o comunismo só parece haver paralelo na fixação político-anticomunista de João Paulo II  -, dada como vergonhosa nas matérias noticiadas via internet, for mesmo aquela que vem sendo divulgada, ele não deveria ter a menor condição ética para ser eleito papa.  Isto, pelos padrões morais que a própria Igreja costuma apregoar como norma de conduta para os seus representantes, mormente quando se trata de um Sumo Pontífice.  

Entretanto, como a eleição de Francisco I era do interesse da ala conservadora que controla o Vaticano e, mais ainda, favorável às investidas do imperialismo dos EUA contra os governos progressistas deste Continente, às favas com a ética.

Estamos, pois, em via de saber se o papa recém-eleito vai tentar reeditar, na porção da América abaixo do Rio Grande, o papel que Wojtyla exerceu, especialmente na Europa,  na  sua cruzada ferrenhamente anticomunista.  Agora já não há mais comunismo real a combater, mas nada impede que ele seja imputado, de alguma forma, a governantes marcados para cair. O PiG existe para missões como essa.

Os antecedentes do papa Francisco I na Argentina, se verdadeiros, certamente o credenciam a ser até mais veemente,  em uma possível campanha subterrânea contra os governantes progressistas da América Latina, do que foi João Paulo II contra o comunismo na Europa com grande sucesso.

Um detalhe significativo, divulgado sobre a Argentina, é que as suas lideranças de ultra-direita haviam ficado frustradas quando Bergoglio  -  "um dos mais duros críticos do governo da presidente Cristina Kirchner"  -    ficou em segundo lugar no pleito que elegeu Bento XVI. Agora, como papa Francisco I, deve ter enchido a direita argentina de esperanças de voltar ao poder, com o seu poderoso apoio.

Mais alguns dados sobre o  então cardeal Bergoglio em seu relacionamento com a ditadura argentina (1976-1983):

-  "Bergoglio é acusado de ter sido cúmplice de crimes cometidos pela ditadura cívico-militar de seu país (1976-1983)".
-  "De acordo com a Associação das Mães da Praça de Maio, Bergoglio foi 'cúmplice da ditadura'".
-  "Bergoglio, amigo do comandante da Marinha Emilio Massera e de Rafael Videla, membros da primeira Junta Militar da ditadura que em 7 anos deixou 30 mil mortos, foi chamado a depor em vários processos que envolvem crimes desse regime. É investigado pela colaboração com a ditadura". 
-  "Nos dois processos mais famosos, responde pela ajuda que teria dado ao sequestro e à tortura de dois jesuítas e à apropriação de bebês, prática comum do regime militar".
-  "Francisco Jalics e Orlando Yorio, os jesuítas sequestrados, acusam Bergoglio de havê-los denunciado".

Finalmente, a escolha de Francisco I como sua denominação papal, pode representar a simbologia de um ato de contrição de Bergoglio pelo passado político nebuloso durante a ditadura militar na argentina.  Essa autodenominação remete à memória de um homem santo que dedicou a vida ao amor pelos pobres e pelos animais, segundo historia a Igreja.  Assim, o ato de Bergoglio poderia constituir uma sinalização de que, doravante, a sua opção pelos pobres  é verdadeira.
Sob outro ângulo, a atuação pregressa do novo papa encoraja um juízo diverso:  a própria denominação como Francisco I não passaria de uma encenação para fazê-lo ser aceito como um ser piedoso, um novo Francisco de Assis, e, ao mesmo tempo, acalmar os ânimos exaltados na Argentina e neutralizar as repercussões negativas que ora estão a ocorrer mundo afora.   

M. N. C.

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