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domingo, 10 de fevereiro de 2013

Alerta para trabalho "escravo" nas obras do Mundial2022


A secretária-geral da Confederação Sindical Internacional (CSI) alertou este domingo para as condições de trabalho desumanas que enfrentam os trabalhadores imigrantes envolvidos nas obras do Mundial de Futebol 2022 no Qatar, qualificando o país como "esclavagista".
"Mais trabalhadores vão morrer durante a construção [dos estádios] do que futebolistas vão jogar naqueles terrenos", afirmou a australiana Sharan Burrow, numa entrevista hoje divulgada pelo diário grego Avgi. "O Qatar é um Estado esclavagista do século XXI", defendeu.
Segundo Sharan Burrow, os trabalhadores enfrentam temperaturas que podem subir até aos 50 graus centígrados durante o verão.

"Correm o risco de crises cardíacas e de desidratação (...) Muitos morrem durante a noite", explicou a secretária-geral, indicando que em 2010 foram registadas 191 vítimas mortais entre trabalhadores originários do Nepal.

Na mesma entrevista, a representante criticou o "muro de silêncio" das autoridades do emirado quando confrontadas com as condições de trabalho dos operários imigrantes.
Sharan Burrow salientou que os trabalhadores não têm escolha e são obrigados a suportar as condições de trabalho, porque os empregadores confiscam os seus passaportes após a entrada no país.

"A maneira como o Qatar encara a situação dos trabalhadores imigrantes é uma vergonha para o futebol", defendeu a representante sindical.

"As pressões sobre o Qatar vão aumentar. O Qatar não pode mais comprar o respeito da comunidade internacional", concluiu a secretária-geral da CSI.

O Qatar foi eleito sede do Mundial 2022 a 2 de Dezembro de 2010, batendo as candidaturas de Estados Unidos, Austrália, Coreia do Sul e Japão.

O anúncio oficial criou, desde logo, intensa polémica, já que o emirado tem pouca tradição futebolística, falta de infra-estruturas e um clima pouco compatível com a prática desportiva.

Em finais de Janeiro, o semanário France Football lançou uma série de interrogações sobre as condições de atribuição do Mundial 2022 e apontava para alegados casos de corrupção e conluio.

Numa reportagem intitulada 'Mundial 2022 - Qatargate', o título francês denunciava alegadas negociações envolvendo o presidente da UEFA, Michel Platini, e o ex-chefe de Estado francês Nicolas Sarkozy, entre outras personalidades.

O assunto está a ser investigado pelo Comité de Ética da FIFA (organismo que tutela o futebol mundial).

N. M.

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