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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

EUA: Governo processa Standard & Poor's por fraude


O Governo dos Estados Unidos interpôs um processo judicial contra a agência de rating Standard & Poor's por fraude. A administração Obama considerou fraudulentos os ratings elevados atribuídos a obrigações hipotecárias de alto risco que acabaram por despoletar a crise financeira no país e no mundo.
O processo foi hoje oficializado e é a primeira acção judicial do Governo contra uma agência de rating no contexto da crise financeira.
Por seu lado, a agência nega qualquer irregularidade na sua acção e afirma que o Governo também falhou ao não prever a crise do subprime.
Mas a acção judicial do Governo acusa a S&P de ter enganado deliberadamente vários investidores, preocupando-se mais com os seus lucros do que em atribuir ratings fidedignos. Segundo a acusação, a agência demorou a actualizar os seus modelos de classificação de risco e deliberadamente atribuiu ratings elevados, consciente de que o mercado de subprime estava a desmoronar-se. Existe inclusive um vídeo, mencionado na acção judicial, de um analista de rating a dançar a cantar sobre a deterioração dos mercados, perante os risos dos colegas.
As agências de rating como a Standard & Poor’s tiveram um papel predominante no desenvolvimento da crise financeira no mundo ocidental. Os bancos e outras empresas do sector financeiro baseavam-se nas classificações de rating para avaliar o grau de segurança dos seus investimentos. Muitos investidores investiram em fundos considerados muito seguros, como de pensões, e acabaram por sofrer perdas gigantescas.
A investigação do Departamento de Justiça norte-americana começou quando a agência reduziu o rating da dívida norte-americana, o que levou deputados e membros do Governo dos EUA a questionarem a credibilidade do processo de avaliação da dívida por aquela agência e a competência dos seus analistas, alegando que erraram nos cálculos.
O Departamento de Justiça americano investigou se os analistas da S&P pretendiam atribuir notas inferiores às obrigações hipotecárias e se poderão ter sido desautorizados pelos executivos da agência, o que resultou na acusação agora deduzida.
Para já, só se sabe do processo contra a S&P, desconhecendo-se qualquer acusação a outras agências como a Moody’s ou a Fitch.
AP/SOL


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