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quinta-feira, 7 de março de 2013

Investigação do Guardian liga Pentágono a centros de tortura no Iraque


Dois conselheiros norte-americanos ligados às "guerras sujas" dos EUA na América Latina estiveram no Iraque, durante a ocupação americana. Respondiam ao ex-secretário da Defesa Donald Rumsfeld e ao general David Petraeus, acusa o jornal britânico.

Soldados iraquianos: os EUA sabiam da tortura nas prisões

 

O general norte-americano David Petraeus está a ser relacionado por uma investigação do diário britânico The Guardian e pela BBC Arabic a centros de detenção e tortura no Iraque usados durante a invasão norte-americana daquele país para tentar obter informações para controlar a revolta sunita.
Estes centros, responsabilidade das forças iraquianas, seriam supervisionados por dois conselheiros norte-americanos: James Steele, um veterano das “guerras sujas” dos EUA na América Latina, nomeadamente em El Salvador, que respondia directamente ao então secretário da Defesa Donald Rumsfeld, e James Coffman, que respondia a Petraeus e um dia se descreveu, numa entrevista, como “os olhos e os ouvidos” de Petraeus, então comandante das forças no Iraque, no terreno.
O agora general na reserva David Petraeus tinha sido enviado para o país em 2004 para treinar as forças de segurança iraquianas e foi mais tarde director da CIA, cargo do qual se demitiu em Novembro na sequência de um escândalo sexual.
Segundo o Guardian, esta é a primeira vez que relatos quer de responsáveis iraquianos, quer de responsáveis americanos, implicam conselheiros norte-americanos nos abusos cometidos nos centros. E é também a primeira vez que Petraeus é relacionado com os abusos nos centros de detenção, que o jornal descreve como “algumas das piores acções de tortura durante a ocupação norte-americana e que aceleraram a descida do país para a guerra civil”.
Steele e Coffman trabalhavam juntos e sabiam de tudo o que se passava nos centros, diz o general iraquiano Muntadher al-Samari, que colaborou com os dois americanos na preparação dos centros durante um ano. “Nunca os vi separados das 40 ou 50 vezes em que estive com eles. Vio-os dentro dos centros de detenção. Eles sabiam tudo o que se passava lá. A tortura, os tipos mais horríveis de tortura”, diz. O objectivo da tortura era conseguir informação sobre os insurrectos iraquianos.
A investigação do Guardian e a da BBC Arabic durou 15 meses e teve como ponto de partida documentos passados pelo soldado norte-americano Bradley Manning à WikiLeaks. Estes mencionavam “centenas de incidentes em que soldados norte-americanos encontravam detidos torturados numa rede de centros de detenção geridos por comandados da polícia pelo Iraque”.
Um porta-voz de Petraeus, citado pela revista online Salon, disse que o general soube de alegações de forças iraquianas que torturavam detidos. “Em cada incidente, ele partilhou informação imediatamente com a cadeia de comando militar americana, o embaixador norte-americano em Bagdad, e os líderes iraquianos relevantes”.

=Público=

 


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