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terça-feira, 2 de abril de 2013

Chipre deverá ter mais um ano para cumprir as metas


Governo cipriota tenta adiar objectivo de chegar a excedente orçamental de 4%.
O Governo de Nicósia apresentou um pacote de medidas contra a crise

A troika deverá flexibilizar as metas orçamentais de Chipre, dando ao Governo mais um ano para cumprir os objectivos acordados com os parceiros europeus. A suavização está prevista, segundo o The Wall Street Journal, num documento preliminar do Memorando de Entendimento negociado pelo executivo cipriota como contrapartida para a ilha mediterrânica receber um empréstimo de dez mil milhões de euros.
No documento a que aquele jornal norte-americano teve acesso prevê-se que Chipre atinja, em 2017, um excedente orçamental primário de 4% do Produto Interno Bruto (PIB), quando até agora essa meta estava traçada para ser cumprida até 2016. O acordo deverá ser assinado dentro de dias, mas o Governo tenta ainda adiar este objectivo por mais um ano, para 2018.
Este ano, o país deverá registar um défice de 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB).
Numa linguagem idêntica aos fundamentos desenhados pela missão internacional da Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Central Europeu nos memorandos dos outros países resgatados, os membros da troika escrevem no mesmo documento que “colocar as finanças públicas numa trajectória sustentável é uma prioridade para estabilizar a economia [cipriota] e restaurar a confiança das empresas, dos cidadãos e dos investidores”.
Para receber o empréstimo externo da União Europeia e do FMI, o Governo conservador de Nikos Anastasiades teve de definir um conjunto de medidas que garantam, por um lado, recursos financeiros adicionais ao resgate e, por outro, que assegurem a estabilização das contas públicas.
O Governo desenhou um pacote de medidas contra a crise onde se incluem alterações fiscais, descontos na electricidade, medidas de apoio social e a criação de um novo casino.
O resgate, que tem uma componente direccionada para a banca a reestruturar, foi negociado entre o executivo cipriota e os parceiros europeus para evitar a entrada do país em bancarrota, um cenário que foi dramatizado quando os termos do programa inicial previam que todos os depositantes bancários fossem chamados a co-financiar o resgate, com a introdução de uma sobretaxa sobre os depósitos.
A medida acabou por avançar, aplicada aos depósitos superiores a 100 mil euros, mantendo-se de pé a regra que prevê a garantia sobre os aforros até este montante.
Nem por isso a medida deixou de gerar controvérsia e ainda no domingo o vice-primeiro-ministro russo, Igor Chouvalov, se insurgiu contra o imposto, que afectará muitas empresas e investidores russos com contas em Chipre.
No meio das críticas aos termos do resgate, Moscovo garante que não vai suportar as perdas das empresas russas com o corte nos depósitos, admitindo apenas rever esta posição no caso dos grupos onde o Estado é accionista.
=Público=

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