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sexta-feira, 26 de abril de 2013

«Sul da Europa unido é mais forte que Merkel e os seus aliados»

Líder da esquerda radical grega defende «nova primavera» dos povos europeus

O líder da coligação da esquerda radical grega (Syriza), Alexis Tsipras, apelou esta quinta-feira em Lisboa para uma «nova primavera» dos povos que mude o rumo da história e derrote a austeridade. O líder realça que o «Sul da Europa unido é mais forte que Merkel e os seus aliados»

«São possíveis três grandes vitórias que podem mudar o curso da história. Façam o mesmo em Portugal, quadrupliquem a votação, acredito que o podem fazer», disse Tsipras num comício do Bloco de Esquerda (BE), numa referência à votação obtida pelo seu partido nas eleições legislativas gregas em 2012, que o tornaram no maior da oposição.

«No próximo ano, é uma promessa, o povo e a Syriza estarão no poder e a Grécia livre da troika», afirmou. «Portugal, Espanha, Irlanda, Chipre, também podem livrar-se da troika. Acredito que vamos fazê-lo, unidos vamos vencer», frisou, aplaudido pela assistência que quase encheu o Fórum Lisboa, o antigo cinema Roma.

O combate às políticas de austeridade e às políticas da troika, a defesa de uma «verdadeira democracia» foram temas sublinhados pelo dirigente político grego, em consonância com intervenções anteriores da eurodeputada Maria Matias e da dirigente bloquista Joana Mortágua.

A união dos países do Sul foi o tema central da intervenção de Alexis Tsipras, que denunciou a «ditadura económica europeia imposta pelos poderosos», recordando que no processo de transição para a democracia, a partir de meados da década de 1970, Portugal, Espanha e Grécia foram considerados casos exemplares.

Países unidos por «laços fortes» mas hoje confrontados com «políticas de desvalorização interna» impostas ou com um «desemprego de longa duração» que contribui para a «crise humanitária» na UE, afirmou Tsipras, que durante a tarde desfilou na avenida da Liberdade nas celebrações do 39.º aniversário do 25 de Abril, integrado no cortejo do BE.

«A Europa do Sul será mais forte que Merkel e a sua aliança», insistiu Tsipras, antes de garantir que a união dos países confrontados com resgates financeiros «a uma só voz» poderá fazer «inclinar» a balança no interior da União Europeia, hoje dominada por um «diretório», referiu o coordenador da Syriza.

A realização de uma conferência europeia sobre a dívida soberana, nos moldes «da conferência de Londres de 1953 sobre a Alemanha» voltou a ser defendida pelo líder da coligação de esquerda grega, que pugnou pela anulação do memorando da troika, por políticas que promovam o aumento da procura e imponham uma cláusula de crescimento no quadro de «um novo acordo para a Europa».

«Não aceitamos mais medidas de austeridade, é necessário cooperar, promover iniciativas e ações, porque separados seremos derrotados», assinalou na sua intervenção em inglês, com tradução simultânea.

A mudança dos governos na Europa do Sul foi ainda considerada determinante porque «quem governa no sul determina a direção da zona euro», antes de recordar que o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, também reconheceu recentemente o efeito negativo de uma continuada austeridade «talvez porque a recessão esteja a chegar ao norte».

Na intervenção que encerrou o comício, o coordenador do BE João Semedo não deixou de fazer uma alusão à sessão comemorativa do 25 de Abril que decorreu pela manhã no Parlamento, e considerou no seu discurso, «Cavaco Silva deu hoje luz verde à nova vaga de cortes e de austeridade que está a ser preparada pelo Governo».

=TVI24=

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